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sexta-feira, 11 de março de 2016

CRÍTICA - ARTE NA (LOU) CURA


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ARTE NA (LOU) CURA




Atenção! Quem chama os outros de mané ou de otário, deve ou não deve ler este texto! E lembrem-se: para existir um otário ou um mané (que são sinônimos) tem que existir um perverso.


Arte na (lou) cura


Crítica por Jorge Lobo


Um filme de Tarcila Vianna, Raphael Peixoto e Henrique Faerman  – Média-Metragem


A câmera nervosa segue num travelling, passa por transeuntes sem se preocupar e anuncia a frase pixada num muro: “quem nunca fez uma loucura!” Logo depois VEMOS o nome de uma rua e adentramos o Hotel e Spa da loucura, ou, o hospício do Engenho de Dentro, como queiram.
Novamente existe a menção à pioneira Dra. Nise da Silveira, Junguiana. Ela conviveu com Jung, foi sua orientanda e isso pode muito bem ter contribuído para sua falta de reconhecimento, fato que Vitor Pordeus (já mencionado e marcado presença na crítica do filme STULTIFERA NAVIS) frisa quando diz que se formou em medicina sem nunca ter ouvido falar no nome da Dra. Nise. Jung tem muito pouco prestígio no Brasil, é considerado um sonhador, místico, Lamarckista e criador do conceito de inconsciente coletivo, conceito rejeitado em oposição ao inconsciente pessoal, de Freud, muito mais aceito, mas admirado por artistas como o cineasta Federico Fellini e também por este escriba, que já escreveu vários roteiros para obras audiovisuais. É, porém, bom lembrar que até Freud teve seus conceitos rejeitados no começo. Por quê? Porque “todos os inovadores são ridicularizados como loucos”, diz George Orwell (autor do livro 1984). Que Freud tenha alcançado bastante reconhecimento e Jung não, é uma história que eu deixo novamente pros psiquiatras, psicólogos e psicanalistas darem sua opinião. Quem não for, pode opinar também, é claro... eu já dei minha opinião. Serão Vitor Pordeus, sua equipe e este que vos escreve, náufragos da utopia? Ou uma das palavras de ordem da tribo: “loucura sim, mas tem seu método!” Mostra que está produzindo bons resultados? É o que ocorre. Vendo esse filme você entende a gênese e os métodos do trabalho desse pessoal tão bem intencionado (não me venham dizer que o inferno está cheio de boas intenções!), tão solidário, tão bacana, que vê os pacientes não como um número, numa engrenagem diabólica feita por um Doutor Octopus (inimigo do Homem-Aranha, que você conhece da Marvel Comics ou do cinema), mas sim como pessoas que dão e recebem afeto e que vão se curando e vivendo a vida de uma maneira muito mais leve do que se eles fossem pacientes de um hospício qualquer. A comunicação, e isso é MUITO importante, acontece, e por isso o trabalho é bem sucedido, se não fosse, você não veria essa integração dos pacientes ou clientes, eles simplesmente se recusariam a participar das oficinas, dos projetos teatrais, de tudo que é proposto por Vitor e sua equipe. Os conceitos de afeto catalisador e de psiquiatra como curador do espírito alavancam a mudança nos pacientes e em outras pessoas que convivem com eles e se declaram mais felizes do que antes da chegada do Hotel e Spa: o motorista, o agente de saúde, os atores... os vários depoimentos mostram isso. 


Você também pode gostar de ler:


Cartas a Spinoza – Nise da Silveira


Mémorias, Sonhos, Reflexões – Carl G. Jung


Introdução à Psicologia Junguiana - Calvin S. Hall e Vernon J.Nordby


O Homem e Seus Símbolos – Carl G. Jung, Marie-Louise Von Franz e Outros


Você também pode gostar de assistir:


Imagens do Inconsciente, filme de Leon Hirszman