Blog dedicado a cinema, literatura e política

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

SÉRIE PENSAMENTOS IMPORTANTES (22)

 "Você não vai ouvir nada do céu... Será que não notou que nós vivemos no inferno?" - Trecho da música "Casa de Papel", do grupo Ira!

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

INVEJA


Nunca é demais relembrar porque certas coisas acontecem: 


O SABIÁ E O URUBU


Era à tardinha. Morria o sol no horizonte enquanto as sombras se alongavam na terra. Um sabiá cantava tão lindo que até as laranjeiras pareciam absortas à escuta.

Estorce-se de inveja o urubu e queixa-se:

-Mal abre o bico este passarinho e o mundo se enleva. Eu, entretanto, sou um espantalho de que todos fogem com repugnância... Se ele chega, tudo se alegra; se eu me aproximo, todos recuam... Ele, dizem, traz felicidade; eu, mau agouro... A natureza foi injusta e cruel para comigo. Mas está em mim corrigir a natureza; Mato-o, e desse modo me livro da raiva que seus gorjeios me provocam.

Pensando assim, aproximou-se do sabiá, que ao vê-lo armou as asas para a fuga.

-Não tenha medo, amigo! Venho para mais perto a fim de melhor gozar as delícias do canto. Julga que por ser urubu não dou valor às obras-primas da arte? Vamos lá, cante! Cante ao pé de mim aquela melodia com que há pouco você extasiava a natureza.

O ingênuo sabiá deu crédito àqueles mentirosos grasnos e permitiu que dele se aproximasse o traiçoeiro urubu. Mas este, logo que o pilhou ao alcance, deu-lhe tamanha bicada que o fez cair moribundo.

Arquejante, com os olhos já envidrados, geme o passarinho:

-Que mal eu fiz para merecer tanta ferocidade?

-Que mal fez? Essa é boa! Cantou!... Cantou divinamente bem, como nunca urubu nenhum há de cantar. Ter talento: eis o grande crime!...

A inveja não admite o mérito.

Monteiro Lobato

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS (14)

     


 Quem dá pérolas aos porcos só recebe ingratidão ou coisas parecidas?Tom Jobim dizia que fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal. É verdade, ainda que esse sucesso, no meu caso, não se dê nos moldes que normalmente se fazem presentes. Além do mais, que sucesso é esse em que as produtoras estão todas fechadas para o meu trabalho?Querendo ou não, isso tira um pouco do ânimo pra gente escrever... Cá pra mim eu tenho que 70% dos que lêem este blog só têm ingratidão pra me oferecer mesmo, mas, se, de pelo menos 30% eu receber coisas positivas, ou se eu conseguir ajudar alguém que tenha um caráter mais idealista já está bom... vamos então a mais uma dica:

Gênesis Cap. 1 V. 32 – PARTE 1 - ATENÇÃO: SPOILERS

 “Na cidade só chovia

Noite imensa, só havia

Luminosos, agonia

E a vida escorria pela escuridão

Nossas ruas eram frias
Como os homens desses dias
Engrenagens tão sombrias
Esquecidas pelos deuses
A pulsar em vão

Misteriosamente uma andróide
Gritou docemente
Me mostrou a vida
Me encheu de cores
Desenhando um holograma em meu coração
Com seus olhos foi pintando um dia
Reinventando a alegria, brancas nuvens de verão
E a poesia de repente volta a ter razão.”

 Cidade Oculta, música de autoria de Eduardo Gudin / Arrigo Barnabé / Roberto Riberti. Faz parte da trilha musical do filme homônimo dirigido por Chico Botelho.

                A essência do cinema é aforismática, isto é, você deve dizer muito com pouco. Só mestres do roteiro como Ingmar Bergman conseguem sustentar um filme de 2 horas e 35 minutos com muitos diálogos como INFIEL - Trolösa (2000), dirigido por Liv Ullmann e outros dirigidos por ele mesmo, gerando a catarse, mas mesmo assim, ele consegue isso nesse filme porque existe ritmo e mudanças de cenário em várias cenas. Ainda assim, mesmo um mestre como ele derrapa, isto é, acontece de ele realizar filmes repletos de diálogos e soar chato, como ele demonstrou em GRITOS E SUSSURROS - Viskningar och rop (1972) em que praticamente não existem mudanças de cenário e o filme é muito lento. Quando ele equilibra imagens e diálogos e segue a regra aforismática consegue fazer um filmaço como MORANGOS SILVESTRES – Smultronstället (1957), isso porque ele usa, ele trabalha, sabe trabalhar muito com os símbolos também*. Quando outros diretores levam ainda mais longe a utilização de imagens em relação aos diálogos, como fez Mario Peixoto em LIMITE (1931), líder das 2 principais enquetes feitas sobre os melhores filmes brasileiros realizados até hoje, a da CINEMATECA BRASILEIRA e a da ABRACCINE, esse ótimo resultado, e eu me incluo entre as pessoas que acham LIMITE um ótimo filme, não sei se o melhor filme brasileiro, mas entre os melhores, é fruto disso. 

            Pra sair um pouco da esfera dos cineastas mais simbólicos devemos ressaltar todo o dinamismo de DEPOIS DE HORAS – After Hours (1985), de Martin Scorsese e de SABOTADOR – Saboteur (1942), um dos melhores e menos conhecidos filmes de Alfred Hitchcock, dois filmes que sabem trabalhar muito bem o equilíbrio entre diálogo e imagem. Muita gente vai assistir a filmes por causa do diretor, mas isso é errado: a montagem e, principalmente o ROTEIRO é que fazem um filme ser bom ou não. Vejamos um ótimo diretor e alguns de seus filmes, por exemplo: começando por DUBLÊ DE CORPO – Body Double (1984) , de Brian De Palma. O roteiro vai muito bem até que, no final, acontece um deus ex machina em que um cachorro salva a personagem protagonista, estragando o filme e a bela direção de De Palma. Fez, depois um outro filme chamado OS INTOCÁVEIS – The Untouchables (1987) , este sim, muito bom e com um roteiro sem furos de autoria de David Mamet. Tinha feito, um ano antes, um filme com roteiro ruim chamado QUEM TUDO QUER, TUDO PERDE – Wise Guys  (1986), e naufragado. Em 1981, fez, aquele que eu considero seu melhor filme, UM TIRO NA NOITE – Blow Out (1981),  com roteiro e direção muito bons e que não se prende à obrigação de ter final feliz, pelo contrário, o final é trágico e no  epílogo choramos junto com a personagem interpretada por John Travolta. Peguemos agora um filme como SUPEROUTRO (1989), de Edgard Navarro. Nada daquela coisa sonolenta preconizada por Syd Field e Christopher Vogler de ter que mostrar o mundo comum da personagem durante um tempo que parece interminável (embora existam roteiristas que conseguem fazer esse panorama do mundo comum sem ser chato), o filme já começa a mil e segue assim durante quase todo o tempo gerando um filme muito bom, sem dúvida, feito com pouco dinheiro mas muita criatividade, assim como o é ILHA DAS FLORES (1989), de Jorge Furtado, que já tinha feito outros ótimo curtas: BARBOSA (1988), com co-direção de Ana Luiza Azevedo, O DIA EM QUE DORIVAL ENCAROU A GUARDA (1986),  ao lado de José Pedro Goulart (1986) e repetiu, depois de ILHA DAS FLORES o sucesso com  ESTA NÃO É A SUA VIDA, (1991), entre outros, se perdendo, porém, quando começou a fazer longas.

 *aliás, quem é que começou a usar e falar em dicionário de símbolos no cinema nacional? Eu. Aliás, ainda, como trabalho os meus roteiros? Usando drama, mitologia, realismo mágico, humor, sátira, simbolismo, como eu já frisei, estilo aforismático e intuição... quem sabe dizer o que mais eu uso? A linguagem das fábulas ou apólogos estilo Esopo? Sim. O que mais?Os elementos de retórica stricto sensu e lato sensu, como escrever histórias que não sejam nem abaixo da crítica, nem acima do gosto popular? Sim. O que mais?Quais os autores que me influenciaram?Eu não tento imitar ninguém. Eu uso coisas que aparecem nos sonhos que eu tenho? Sim. Eu uso experiências pessoais como conversas minhas ou dos outros que eu acabo ouvindo? Sim. Eu uso a inversão da ordem das falas ou dos diálogos? Sim. Eu uso história(s) secreta(s)? Sim. Eu faço transcriações de poemas, textos dissertativos, ou diálogos de outros filmes, isto é, eu distorço os diálogos ao meu bel-prazer?Sim. Eu boto falas nas bocas das personagens fiéis a textos de ficção ou não-ficção?Pouco, mas sim, prefiro distorcer. Eu uso a música como inspiração? Uso. Eu uso epifanias? Sim. Eu uso inversão lógica? Sim. Eu uso falsos finais e finais ocultos? Sim. Eu aproveito coisas que eu leio no jornal? Sim. Eu trabalho a mensagem nos meus roteiros? Sim, Leiam o DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS nº 8 e 9 deste Blog para entender. Eu falo de coisas complexas de forma simples? Sim. Eu uso trajetória circular? Sim, mas lembrem-se: isso não foi inventado pelos manuais de roteiro, já existia em histórias da mitologia. O que mais eu faço? Chuta aí!


P.S.: é importante, muito importante ter visão crítica.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

TALK RADIO - VERDADES QUE MATAM



Achei este comentário num site chamado Filmow. O texto é de autoria de Roberto Queiroz, foi postado muito provavelmente no ano de 2021 e aborda o filme TALK RADIO - VERDADES QUE MATAM, um filme de 1988 dirigido por Oliver Stone. Achei o texto muito pertinente e muito bom, razão pela qual estou destacando ele no Blog. 

Palavras podem causar danos permanentes

(Talk radio: verdades que matam, de Oliver Stone ou apenas a vida se transformando num entretenimento sujo e sórdido)

Embora eu seja formado em comunicação social sempre fui naturalmente desconfiado sobre certo tipo de profissional que trabalha nessa área. Trata-se de um mercado repleto de aspones, deformadores de opinião e gente que se acha a quintessência do universo simplesmente porque comanda um programa de auditório ou de rádio, chefia uma redação de jornal ou mesmo a bancada de um telejornal.

Em outras palavras: alguns profissionais se consideram indispensáveis dentro desse universo, chegando a se autointitular "a única versão relevante dos fatos".

Entretanto, há um lado meu também eternamente curioso sobre essas pessoas e como elas fazem o mundo girar ao seu redor até que uma catástrofe ocorra ou a lucidez prevaleça sobre seus argumentos. E a sétima arte está repleta de grandes exemplares dessa categoria (desde já indico aqui dois dos meus favoritos: Um sonho sem limites, de Gus Van Sant e O abutre, de Dan Gilroy).

Oliver Stone, um de meus cineastas-fetiche, sempre dedicou parte do seu tempo e sua obra cinematográfica a esmiuçar a podridão e a contraditoriedade que há por trás desse mundo midiático sórdido. E nos entregou longas que entraram para a história - seja pelo mérito pessoal deles, seja pela controvérsia embutida na história. E um deles eu vinha perseguindo durante anos em lojas de dvds usados, sites de streaming e cópias piratas, sem sucesso. Até anteontem.

Refiro-me à Talk Radio: verdades que matam, de 1988. E desde já adianto: valeu a pena esperar tanto tempo. É não somente ácido do início ao fim como diz muito sobre o que a sociedade americana acabou se tornando com o passar dos anos.

O filme nos apresenta o âncora do programa de rádio Night talk - em tradução rasteira: conversa noturna -, Barry Champlain (Eric Bogosian, fantástico!). Apesar do sucesso de sua faixa de programação ele é uma figura vista como execrável por grande parte da sociedade norte-americana e sua vida pessoal é uma verdadeira bagunça. Divorciado e tendo um caso com a produtora do show, chegou naquele ponto da própria existência em que o único motivo que o faz sair da cama todo dia são as noites de segunda, na qual apresenta seu polêmico programa.

Um novo patrocinador surge na rádio oferecendo-lhe a possibilidade de uma transmissão mais ampla e isso não o satisfaz totalmente, pois Barry exige manter o seu controle criativo. E qualquer interferência de fora, para ele, é uma ofensa. O que vale mesmo, o que tem importância na hora H, é como ele comanda o show. E é nesse quesito que se encontra o grande mérito do longa.

Digo isso porque a maneira como Barry conduz seu espetáculo é o retrato vivo e amargo dessa América que não se cansa de vender-se como "a maior nação de todos os tempos", mas na prática não passa de um país cheio de subterfúgios e contradições. E olha que, como disse num parágrafo acima, a película já tem mais de três décadas!

Barry xinga, insulta, esnoba ouvintes, só ouve e dá papo àquilo que o interessa, recebe um pacote-surpresa de um interlocutor revoltado, dá corda a tipos exóticos e nonsenses, pede pausas fora de hora, ausenta-se (irritando até mesmo o seu empregador), e ainda dá atenção à ex-esposa, que ele convida para dar uma força a ele nesse momento de reviravolta na carreira.

Porém, é preciso enxergar as entrelinhas de toda essa discórdia. Oliver Stone está, na verdade, jogando o seu holofote sobre a vida e como nós, seres humanos, decidimos transformá-la num "entretenimento sórdido" (expressão, por sinal, da qual ele se utiliza quando chega ao apogeu da sua impaciência, num monólogo que por si só já vale pelo filme todo).

Ao final da sessão e completamente sem fala diante do desfecho aterrador, o que percebo é que Talk Radio meio que profetizou a sociedade contemporânea (que o diga os EUA). Viramos reféns da indústria falaciosa criada pela mídia e as corporações que vendem entretenimento óbvio e evasivo. E pior: nos orgulhamos de nossa acomodação, porque lutar contra é tão duro, cansativo e pouco recompensador que não vale o esforço. Pelo menos, não para a grande maioria que se diz "antenada com essa tal de globalização".

E o mais triste disso tudo é pensar que até mesmo hollywood já foi mais interessante e denunciatória quando o assunto era roteiro, boa história, etc. Agora precisamos nos contentar com literatura fantástica e homens e mulheres com superpoderes.

É... O mundo - e a indústria cinematográfica - não são mais os mesmos! E palavras, agora mais do que nunca, podem causar danos permanentes e irreversíveis.

terça-feira, 23 de maio de 2023

SÉRIE PENSAMENTOS IMPORTANTES (21)

 

O CULTO À MEDIOCRIDADE

Enquanto os medíocres são ultra-respeitados, aqueles que brilham são alvo de inveja e zombaria...


quinta-feira, 30 de março de 2023

FOFOCA




DEFINIÇÃO DO DICIONÁRIO:

A fofoca ou mexerico consiste não somente no ato de fazer afirmações não baseadas em fatos concretos, especulando em relação à vida alheia mas também em divulgar fatos da vida de outras pessoas sem o consentimento das mesmas, independente da intenção de difamação ou de um simples comentário sem fins malignos.

Lembrem-se: a fofoca e a inveja andam de mãos dadas.

segunda-feira, 6 de março de 2023

domingo, 26 de fevereiro de 2023

DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS (13)

      


          Procure manter uma disciplina: tente escrever pelo menos 1 hora e meia todo dia e ler pelo menos 20 páginas de um livro, qualquer que seja, todos os dias. Como dizem por aí: "o cerébro é um músculo". Além disso, procure aprender coisas novas: à medida que você aprende, as coisas vão se automatizando na hora da criação, pelo menos é isso o que acontece comigo. Ou, se você já aprendeu, as coisas também se automatizam, bote fé... Quando você menos perceber, estará usando elementos de retórica, falsos finais, história(s) secreta(s) ou outras coisas e vivências pessoais virão à tona... 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

ENQUETE DOS MELHORES FILMES BRASILEIROS REALIZADA PELA ABRACCINE EM 2015

 


“Limite” (1931), de Mário Peixoto, é o melhor filme brasileiro de todos os tempos de acordo com o ranking da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Formada por 100 filmes, a lista foi elaborada a partir dos rankings pessoais dos membros da entidade, que reúne críticos e jornalistas especializados de todo o país.

Em segundo lugar está “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha, e em terceiro, “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos. O documentário “Cabra Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho, ocupa o quarto posto. A lista contempla curtas como “Ilha das Flores” (1989), de Jorge Furtado, “Aruanda” (1960), de Linduarte Noronha, e “Di” (1977), de Glauber.

O levantamento da Abraccine foi o ponto de partida do livro “Os 100 Melhores Filmes Brasileiros”, que foi lançado em 2016, pela editora Letramento, primeiro de uma série de publicações coordenada pela entidade. O livro reune ensaios de cada um dos filmes mais votados, escritos pelos principais críticos de cinema do país.

“Foram citados 379 filmes, número surpreendente para uma cinematografia construída sobre ciclos. Mesmo os que ficaram de fora dos 100 melhores têm a sua contribuição na história do cinema do país, o que nos ajuda a perceber a grandeza de nossa produção”, observa Paulo Henrique Silva, presidente da entidade.

Ele registra que os principais movimentos estão representados no ranking, dos diretores pioneiros como Humberto Mauro e Mario Peixoto e da chanchada à fase de retomada da produção nacional, passando pelo Cinema Novo e pelo Udigrudi. Também não foram esquecidos diretores que tiveram uma carreira singular no cinema brasileiro.

É o caso de José Mojica Marins, o criador do personagem Zé do Caixão, durante muitos anos o único realizador a trabalhar com o terror. Marins aparece três vezes na lista, com “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1964), 46º posto, “O Despertar da Besta” (1969), 55º, e “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1966), 90º.

Glauber Rocha é o diretor com maior número de citações: cinco. Foram lembrados “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (2º), “Terra em Transe” (5º), “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (33º), “ A Idade da Terra” (57º) e “Di” (88º). Com quatro, estão Rogério Sganzerla, Joaquim Pedro de Andrade, Nelson Pereira dos Santos, Hector Babenco e Carlos Reichenbach.

 Ranking da Abraccine

1. Limite (1931), de Mario Peixoto
2. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha
3. Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos
4. Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho
5. Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha
6. O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla
7. São Paulo S/A (1965), de Luís Sérgio Person
8. Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles
9. O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte
10. Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade
11. Central do Brasil (1998), de Walter Salles
12. Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981), de Hector Babenco
13. Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado
14. Eles Não Usam Black-Tie (1981), de Leon Hirszman
15. O Som ao Redor (2012), de Kleber Mendonça Filho
16. Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho
17. Jogo de Cena (2007), de Eduardo Coutinho
18. Bye Bye, Brasil (1979), de Carlos Diegues
19. Assalto ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias
20. São Bernardo (1974), de Leon Hirszman
21. Iracema, uma Transa Amazônica (1975), de Jorge Bodansky e Orlando Senna
22. Noite Vazia (1964), de Walter Hugo Khouri
23. Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra
24. Ganga Bruta (1933), de Humberto Mauro
25. Bang Bang (1971), de Andrea Tonacci
26. A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1968), de Roberto Santos
27. Rio, 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos
28. Edifício Master (2002), de Eduardo Coutinho
29. Memórias do Cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos
30. Tropa de Elite (2007), de José Padilha
31. O Padre e a Moça (1965), de Joaquim Pedro de Andrade
32. Serras da Desordem (2006), de Andrea Tonacci
33. Santiago (2007), de João Moreira Salles
34. O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), de Glauber Rocha
35. Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (2010), de José Padilha
36. O Invasor (2002), de Beto Brant
37. Todas as Mulheres do Mundo (1967), de Domingos Oliveira
38. Matou a Família e Foi ao Cinema (1969), de Julio Bressane
39. Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto
40. Os Cafajestes (1962), de Ruy Guerra
41. O Homem do Sputnik (1959), de Carlos Manga
42. A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral
43. Sem Essa Aranha (1970), de Rogério Sganzerla
44. SuperOutro (1989), de Edgard Navarro
45. Filme Demência (1986), de Carlos Reichenbach
46. À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), de José Mojica Marins
47. Terra Estrangeira (1996), de Walter Salles e Daniela Thomas
48. A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla
49. Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos
50. Alma Corsária (1993), de Carlos Reichenbach
51. A Margem (1967), de Ozualdo Candeias
52. Toda Nudez Será Castigada (1973), de Arnaldo Jabor
53. Madame Satã (2000), de Karim Ainouz
54. A Falecida (1965), de Leon Hirzman
55. O Despertar da Besta – Ritual dos Sádicos (1969), de José Mojica Marins
56. Tudo Bem (1978), de Arnaldo Jabor (1978)
57. A Idade da Terra (1980), de Glauber Rocha
58. Abril Despedaçado (2001), de Walter Salles
59. O Grande Momento (1958), de Roberto Santos
60. O Lobo Atrás da Porta (2014), de Fernando Coimbra
61. O Beijo da Mulher-Aranha (1985), de Hector Babenco
62. O Homem que Virou Suco (1980), de João Batista de Andrade
63. O Auto da Compadecida (1999), de Guel Arraes
64. O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto
65. A Lira do Delírio (1978), de Walter Lima Junior
66. O Caso dos Irmãos Naves (1967), de Luís Sérgio Person
67. Ônibus 174 (2002), de José Padilha
68. O Anjo Nasceu (1969), de Julio Bressane
69. Meu Nome é… Tonho (1969), de Ozualdo Candeias
70. O Céu de Suely (2006), de Karim Ainouz
71. Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert
72. Bicho de Sete Cabeças (2001), de Laís Bondanzky
73. Tatuagem (2013), de Hilton Lacerda
74. Estômago (2010), de Marcos Jorge
75. Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes
76. Baile Perfumado (1997), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira
77. Pra Frente, Brasil (1982), de Roberto Farias
78. Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1976), de Hector Babenco
79. O Viajante (1999), de Paulo Cezar Saraceni
80. Anjos do Arrabalde (1987), de Carlos Reichenbach
81. Mar de Rosas (1977), de Ana Carolina
82. O País de São Saruê (1971), de Vladimir Carvalho
83. A Marvada Carne (1985), de André Klotzel
84. Sargento Getúlio (1983), de Hermano Penna
85. Inocência (1983), de Walter Lima Jr.
86. Amarelo Manga (2002), de Cláudio Assis
87. Os Saltimbancos Trapalhões (1981), de J.B. Tanko
88. Di (1977), de Glauber Rocha
89. Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade
90. Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1966), de José Mojica Marins
91. Cabaret Mineiro (1980), de Carlos Alberto Prates Correia
92. Chuvas de Verão (1977), de Carlos Diegues
93. Dois Córregos (1999), de Carlos Reichenbach
94. Aruanda (1960), de Linduarte Noronha
95. Carandiru (2003), de Hector Babenco
96. Blá Blá Blá (1968), de Andrea Tonacci
97. O Signo do Caos (2003), de Rogério Sganzerla
98. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger
99. Meteorango Kid, Herói Intergaláctico (1969), de Andre Luis Oliveira
100. Guerra Conjugal (1975), de Joaquim Pedro de Andrade (*)
101. Bar Esperança, o Último que Fecha (1983), de Hugo Carvana (*)

(*) Empatados na última colocação, com o mesmo número de pontos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

OS TRINTA FILMES MAIS SIGNIFICATIVOS DO CINEMA BRASILEIRO SEGUNDO A ENQUETE REALIZADA NO ANO DE 1988

 


Apresentacão

 
CINEMATECA BRASILEIRA - 1988

 

 

A referência mais antiga ao cinema brasileiro data de 1898. Afonso Segreto, a bordo do navio Brésil, tirou algumas "vistas" da Baía da Guanabara com uma câmera de filmar Lumière que acabara de adquirir em Paris. A Cinemateca Brasileira adotou este evento como marco e, dentro de seu espírito de preservar e divulgar o cinema nacional, promoveu, em 1988, uma série de atividades para celebrar os 90 anos do cinema brasileiro.

Uma delas consistiu na escolha dos 30 filmes brasileiros mais significativos, realizada através de consulta a críticos de jornais, revistas e emissoras de televisão, além de pesquisadores ligados a universidades e órgãos culturais, visando a estabelecer uma videoteca básica, para divulgação internacional.

Diferentes fases e estilos encontram-se aqui representados – o filme mudo, o Cinema Novo, as produções da Vera Cruz, o cinema intimista e o "marginal" –, dando prova da vitalidade de um cinema que superou os obstáculos à sua própria existência, surgidos ao longo dos anos.

 

OS FILMES (por ordem alfabética):

 

O assalto ao trem pagador, de Roberto Farias

O bandido da luz vermelha, de Rogérío Sganzerla

Bang bang, de Andrea Tonacci

Brasa dormida, de Humberto Mauro

Bye bye Brasil, de Carlos Diegues

Cabra marcado para morrer, de Eduardo Coutinho

Os cafajestes, de Ruy Guerra

O cangaceiro, de Lima Barreto

Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha

O dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha

Eles não usam black-tie, de Leon Hirszman

Os fuzis, de Ruy Guerra

Ganga bruta, de Humberto Mauro

O grande momento, de Roberto Santos

A hora e a vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos

Limite, de Mário Peixoto

Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade

A margem, de Ozualdo Candeias

Matou a família e foi ao cinema, de Júlio Bressane

Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos

Noite vazia, de Walter Hugo Khouri

O pagador de promessas, de Anselmo Duarte

Pixote - a lei do mais fraco, de Hector Babenco

Rio quarenta graus, de Nelson Pereira dos Santos

São Bernardo, de Leon Hirszman

São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sergio Person

Terra em transe, de Glauber Rocha

Toda nudez será castigada, de Arnaldo Jabor

Tudo bem, de Arnaldo Jabor

Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos

 

Nota de J. de L.: LIMITE, de Mário Peixoto, ficou em 1º lugar


segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

ANIVERSÁRIO

Recordar é viver: 20 ANOS do término da primeira versão do roteiro UM CRIME SEM AUTOR...

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS (12)

 

  A MORFOLOGIA DE PROPP - A FÁBULA PROPPIANA


        Eis a Morfologia que Propp apresenta:


1.    DISTANCIAMENTO: um membro da família deixa o lar (o Herói é apresentado);

2.    PROIBIÇÃO: uma interdição é feita ao Herói ('não vá lá', 'vá a este lugar');

3.    INFRAÇÃO: a interdição é violada (o Vilão entra na história);

4.    INVESTIGAÇÃO: o Vilão faz uma tentativa de aproximação/reconhecimento (ou tenta encontrar os filhos, as jóias, ou a vítima interroga o Vilão);

5.    DELAÇÃO: o Vilão consegue informação sobre a vítima;

6.    ARMADILHA: o Vilão tenta enganar a vítima para tomar posse dela ou de seus pertences (ou seus filhos); o Vilão está traiçoeiramente disfarçado para tentar ganhar confiança;

7.    CONIVÊNCIA: a vítima deixa-se enganar e acaba ajudando o inimigo involuntariamente;

8.    CULPA: o Vilão causa algum mal a um membro da família do Herói; alternativamente, um membro da família deseja ou sente falta de algo (poção mágica, etc.);

9. MEDIAÇÃO: o infortúnio ou a falta chegam ao conhecimento do Herói (ele é enviado a algum lugar, ouve pedidos de ajuda, etc.);

10. CONSENSO/CASTIGO: o Herói recebe uma sanção ou punição;

     11.PARTIDA DO HERÓI: o Herói sai de casa;

     12. SUBMISSÃO/PROVAÇÃO: o Herói é testado pelo Ajudante, preparado para   seu aprendizado ou para receber a magia;

     13. REAÇÃO: o Herói reage ao teste (falha/passa, realiza algum feito, etc.);  

14. FORNECIMENTO DE MAGIA: o Herói adqüire magia ou poderes mágicos;

15. TRANSFERÊNCIA: o Herói é transferido ou levado para perto do objeto de sua busca;

16. CONFRONTO: o Herói e o Vilão se enfrentam em combate direto;

17. HERÓI ASSINALADO: ganha uma cicatriz, ou marca, ou ferimento

18. VITÓRIA sobre o Antagonista

19. REMOÇÃO DO CASTIGO/CULPA: o infortúnio que o Vilão tinha provocado é desfeito;

20. RETORNO DO HERÓI: (a maior parte da narrativas termina aqui, mas Propp identifica uma possível continuação)

21. PERSEGUIÇÃO: o Herói é perseguido (ou sofre tentativa de assassinato);

22. O HERÓI SE SALVA, ou é resgatado da perseguição;

23. O HERÓI CHEGA INCÓGNITO EM CASA ou em outro país;

24. PRETENSÃO DO FALSO HERÓI, que finge ser o Herói;

25. PROVAÇÃO: ao Herói é imposto um dever difícil;

26. EXECUÇÃO DO DEVER: o Herói é bem-sucedido;

27. RECONHECIMENTO DO HERÓI (pela marca/cicatriz que recebeu);

28. O Falso Herói é exposto/desmascarado;

29. TRANSFIGURAÇÃO DO HERÓI;

30. PUNIÇÃO DO ANTAGONISTA

31. NÚPCIAS DO HERÓI: o Herói se casa ou ascende ao trono.

Para estender o assunto:

AS RAÍZES HISTÓRICAS DO CONTO MARAVILHOSO, LIVRO DE VLADIMIR PROPP