Sou francamente contrário ao
plágio. Nunca autorizei ninguém a divulgar minhas histórias, pois isso facilita o plágio. Quando eu quis divulgar eu mesmo divulguei. Desrespeitar um companheiro de profissão é uma coisa condenável, sem
dúvida, ainda mais quando este companheiro ainda não transformou ainda o seu
roteiro em filme. Acho lamentável a falta de respeito generalizada pelos companheiros
como ocorre atualmente, num “levar vantagem em tudo”, num “foda-se, eu quero mais
é me dar bem”, num “eu não gosto desse cara mesmo”, “ele é otário mesmo, então
vou me aproveitar” etc etc
etc nessa razão cínica deplorável que grassa na classe cinematográfica.
A transcriação, no seu
sentido lato, em vez disso, trabalha com coisas que JÁ FORAM publicadas ou filmadas,
pegando uma base de uma determinada passagem de um filme ou livro pra fazer uma
coisa nova, é uma prática inventiva, isso além do fato dos direitos serem
respeitados, já que esses filmes ou livros JÁ FORAM realizados. Ainda nos anos
30, já falando também de literatura, Jorge Luis Borges fez isso no seu livro
HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA com histórias de terceiros mexidas à vontade pelo
mestre dos contos, mas eram histórias QUE, JÁ TINHAM SIDO PUBLICADAS ANTERIORMENTE;
Eu, pessoalmente, não vejo graça em fazer as chamadas citações, pois essa
simplesmente repete o trecho para quem conhece a cena antiga, ou então não é
vista como plágio pelos espectadores que
não conhecem o filme anterior, existindo portanto, o desrespeito a esse filme
anterior, seu diretor e seu roteirista, por mais que o diretor que faz a
citação chame isso de homenagem. É claro
que, se o crédito da passagem copiada for dado, o delito é menos grave e até
aceitável para alguns. É claro, também, que o plagiador, querendo ou não, fica
com um manto enorme de vergonha.
É claro que existe um LIMITE
(1930), pois o diretor-roteirista desse filme, Mário Peixoto, por exemplo, viu
uma foto numa revista e a usou nesse filme, o que não dá pra chamar de plágio, filme
este, que, aliás, foi eleito numa enquete em 1988 como o melhor filme
brasileiro de todos os tempos. Não dá pra considerar plágio coisas como
notícias de jornal, fotos, como usou Peixoto, gravuras ou músicas, essas coisas
são inspiração. Mas também existem coisas que não dá pra aturar, como a frase do
Chacrinha: “nada se cria, tudo se copia”.