As metáforas e contos são
ferramentas importantes na educação. A humanidade, em sua fase oral, utilizava
os contos, os adágios, as parábolas, as metáforas, para ensinar às gerações
mais jovens, a história e estórias de sua própria gente, dos antepassados míticos
e heroicos. Os modernos conceitos de metáfora, baseado na obra de Milton
Erickson, adotados pela PNL, incluem símiles, parábolas, alegorias ou
figuras de linguagem que impliquem uma comparação. Mas as histórias,
fábulas e parábolas constituem suas formas mais evoluídas.
As metáforas comunicam
indiretamente. E é um processo de linguagem que consiste em fazer uma
substituição analógica. Metáforas simples fazem simples comparações: "meter
a mão em cumbuca, feio como o diabo, fazer das tripas coração". Metáforas
complexas são histórias com diversos níveis de significado. "Uma metáfora
contada de maneira clara e simples distrai a mente consciente e ativa a procura
inconsciente de significados e recursos" (O'CONNOR, Joseph e SEYMOUR,
John. Introdução à programação neurolinguística. São Paulo:
Summus, 1995). Quer dizer, revelam elementos ocultos que apenas o inconsciente
pode perceber e utilizar.
As metáforas podem adotar várias
formas, dependendo do efeito que se deseja, do conteúdo que se quer veicular,
do tempo disponível, do interlocutor ou de grupo de ouvintes. Alguns tipos de
metáforas que interessam à educação:
As imagens. São
rápidas e simples. Ilustram bem o oral e o escrito. No fundo é uma palavra ou
frase que muda de sentido: pegar o touro a unha; ficar de nariz
torcido; tapar o sol com a peneira.
As comparações. Também
são imagens. Contêm, no entanto, um elemento comparativo: fumar como
uma chaminé, beber como um gambá.
Os provérbios. São
máximas ou sentenças de caráter prático e popular, comum a todo um grupo
social, expressa em forma sucinta e geralmente rica em imagens: quanto
maior a nau, maior a tormenta; gato escaldado tem medo de água fria.
As anedotas e as citações. São
relatos sucintos de fatos jocosos ou curiosos vividos por outros e citados
entre aspas, pelo autor do discurso ou do texto: "Isto me faz
pensar na pergunta que fulano fez durante…"; "Como teria dito o
professor de português…".
Os mitos e os contos.
Histórias imaginárias, geralmente de origem popular, que colocam em cena heróis
que encarnam forças da natureza ou aspectos da condição humana durante
incidentes que não teriam acontecido, mas que fazem parte do inconsciente
coletivo: o mito do paraíso perdido, as mitologias greco-romanas, os
contos de fada.
Narrações, parábolas, histórias. São
formas metafóricas mais completas e complexas. Para gerar mudanças no
interlocutor a história há que possuir formas semelhantes à realidade vivida
por ele.
Como funcionam as metáforas
Uma metáfora apresenta "um
equilíbrio sutil entre, por um lado, a especificidade dos elementos nela
incluídos, a fim de persuadir o interlocutor ou leitor da semelhança entre a
história e a sua própria situação e, por outro lado, uma certa imprecisão,
lacunas no conteúdo, "jogo" (no sentido mecânico da palavra), para
que ele aceite a metáfora e receba dentro do seu próprio modelo de mundo.
(LONGIN, Pierre. Aprenda a liderar com a programação neurolinguística, Rio de
Janeiro: Qualitymark, 1996.)
O professor deve deixar lacunas
no índice referencial: "Em um país longínquo…",
"Era uma vez um velho rei…". Trabalhar com verbos
inespecíficos: chegar, dizer, fazer, discutir, etc. e com nominalizações: espírito,
sabedoria, esperança, santidade, amor, verdade, etc. Disfarçar as determinações
ou sugestões, colocando-as a boca de personagem: "Eu não sabia,
mas o cordeiro sabia!".
Como se cria uma metáfora para mudança pessoal
José Carlos Mazilli in
"Manual de Programação Neurolinguística", (São Paulo: Edição do
Autor, 1996) descreve da seguinte maneira a criação de uma metáfora:
1. O
primeiro passo para se criar uma metáfora é saber o estado atual e
o estado desejado do ouvinte. A metáfora será a história ou a
jornada de um ponto para o outro.
2. Decodifique
os elementos de ambos os estados: pessoas, lugares, objetos, atividades, tempo,
sem perder de vista os sistemas representacionais e submodalidades de cada um
desses elementos.
3. Escolha
um contexto adequado para a história. De preferência um que seja interessante,
e substitua os elementos do problema por outros elementos, porém mantendo a
relação entre eles.
4. Crie a
trama da história de maneira que ela tenha a mesma forma do estado
atual e conduza-a, através da estratégia de ligação, até a solução do
problema (o estado desejado) sem passar pelo hemisfério esquerdo,
indo direto ao inconsciente.
João Nicolau Carvalho professor
universitário, Trainer em PNL, Coach certificado
Mais textos sobre metáforas na internet:
Metáforas
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