Combate!!!Pérolas aos Porcos 2

Blog dedicado a cinema, literatura e política

quinta-feira, 17 de julho de 2025

O QUE SIGNIFICA DAR PÉROLAS AOS PORCOS (segundo a Bíblia)

 

Dar pérolas aos porcos significa gastar o que temos de precioso em quem não aprecia. Jesus disse que não devemos dar pérolas aos porcos nem o que é sagrado aos cães. Não dar pérolas aos porcos significa reconhecer quando nossos esforços estão causando mais mal que bem.

Em Mateus 7:6, Jesus avisou sobre o perigo de dar pérolas aos porcos e coisas sagradas aos cães. O resultado é a destruição das pérolas e até ataques devastadores contra nós!

Pérolas e coisas sagradas

 As pérolas e as coisas sagradas representam o que é valioso em nossas vidas. Pérolas são objetos valiosos, que custam bastante dinheiro. As coisas sagradas eram preciosas porque eram dedicadas a Deus. Ninguém sensato desperdiçaria pérolas ou coisas sagradas, nem as trataria com desprezo.

Deus nos dá muitas coisas valiosas e sagradas:

  • A vida
  • O evangelho da salvação
  • Dons e talentos
  • Sabedoria
  • A família

Devemos dar valor a tudo que Deus nos dá. Nossa responsabilidade é tratar as bênçãos de Deus com respeito, partilhando e multiplicando para o bem de muitos.

Porcos e cães

Os porcos e os cães representam coisas impuras. Na Lei de Moisés, os porcos eram considerados animais impuros, impróprios para comer. Os cães vadios eram animais ferozes, parecidos com lobos, e não era seguro se aproximar deles. Mexer com porcos e cães era se expor à impureza e ao perigo.

Precisamos ter sabedoria para identificar ações, situações ou pessoas que podem “contaminar” nossas pérolas.

O perigo de dar pérolas aos porcos

Jesus nos chamou para pregar o evangelho a todos, dar nossas vidas por nossos irmãos e usar nossos dons e talentos. Não devemos desprezar outras pessoas só porque estão em pecado (Mateus 7:3-5). Todos pecamos e precisamos da graça de Deus! Mesmo as pessoas que achamos que estão em muito pecado podem ser transformadas por Jesus.

Devemos estar prontos para oferecer amor, ajuda e o evangelho a todos mas também precisamos reconhecer quando, em vez de trazer o bem, isso só vai causar mais problemas. Em algumas situações, nossos esforços podem ser desperdiçados e usados contra nós. Nesses casos, não é bom continuar, porque ninguém vai ser ajudado mas várias pessoas (incluindo nós) podem sair prejudicadas.

A Bíblia diz que devemos ser astutos como cobras (Mateus 10:16). Agir com amor não significa ser burro nem ingênuo. Precisamos de sabedoria na forma como nos relacionamos com outras pessoas. Por exemplo, não damos os códigos de nossas contas bancárias a pessoas em quem não confiamos, porque nosso dinheiro é valioso e temos famílias para sustentar. Da mesma forma, precisamos medir com sabedoria quanto devemos dar de nós a outras pessoas.

Por vezes, é melhor parar de insistir. Podemos tentar outras táticas, orar pelas pessoas e nos mostrar disponíveis quando a situação mudar.

 Dar pérolas aos porcos pode se referir a qualquer situação em que coisas valiosas são desperdiçadas e até usadas contra nós. Nesse sentido, também pode ser um aviso contra usar nossos dons para fazer coisas erradas ou contra darmos pouco valor às bênçãos de Deus.

Texto colhido na Internet, sem assinatura além da bíblia.


sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

SÉRIE PENSAMENTOS IMPORTANTES (22)

 "Você não vai ouvir nada do céu... Será que não notou que nós vivemos no inferno?" - Trecho da música "Casa de Papel", do grupo Ira!

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

INVEJA


Nunca é demais relembrar porque certas coisas acontecem: 


O SABIÁ E O URUBU


Era à tardinha. Morria o sol no horizonte enquanto as sombras se alongavam na terra. Um sabiá cantava tão lindo que até as laranjeiras pareciam absortas à escuta.

Estorce-se de inveja o urubu e queixa-se:

-Mal abre o bico este passarinho e o mundo se enleva. Eu, entretanto, sou um espantalho de que todos fogem com repugnância... Se ele chega, tudo se alegra; se eu me aproximo, todos recuam... Ele, dizem, traz felicidade; eu, mau agouro... A natureza foi injusta e cruel para comigo. Mas está em mim corrigir a natureza; Mato-o, e desse modo me livro da raiva que seus gorjeios me provocam.

Pensando assim, aproximou-se do sabiá, que ao vê-lo armou as asas para a fuga.

-Não tenha medo, amigo! Venho para mais perto a fim de melhor gozar as delícias do canto. Julga que por ser urubu não dou valor às obras-primas da arte? Vamos lá, cante! Cante ao pé de mim aquela melodia com que há pouco você extasiava a natureza.

O ingênuo sabiá deu crédito àqueles mentirosos grasnos e permitiu que dele se aproximasse o traiçoeiro urubu. Mas este, logo que o pilhou ao alcance, deu-lhe tamanha bicada que o fez cair moribundo.

Arquejante, com os olhos já envidrados, geme o passarinho:

-Que mal eu fiz para merecer tanta ferocidade?

-Que mal fez? Essa é boa! Cantou!... Cantou divinamente bem, como nunca urubu nenhum há de cantar. Ter talento: eis o grande crime!...

A inveja não admite o mérito.

Monteiro Lobato

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS (14)

     


 Quem dá pérolas aos porcos só recebe ingratidão ou coisas parecidas?Tom Jobim dizia que fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal. É verdade, ainda que esse sucesso, no meu caso, não se dê nos moldes que normalmente se fazem presentes. Além do mais, que sucesso é esse em que as produtoras estão todas fechadas para o meu trabalho?Querendo ou não, isso tira um pouco do ânimo pra gente escrever... Cá pra mim eu tenho que 70% dos que lêem este blog só têm ingratidão pra me oferecer mesmo, mas, se, de pelo menos 30% eu receber coisas positivas, ou se eu conseguir ajudar alguém que tenha um caráter mais idealista já está bom... vamos então a mais uma dica:

Gênesis Cap. 1 V. 32 – PARTE 1 - ATENÇÃO: SPOILERS

 “Na cidade só chovia

Noite imensa, só havia

Luminosos, agonia

E a vida escorria pela escuridão

Nossas ruas eram frias
Como os homens desses dias
Engrenagens tão sombrias
Esquecidas pelos deuses
A pulsar em vão

Misteriosamente uma andróide
Gritou docemente
Me mostrou a vida
Me encheu de cores
Desenhando um holograma em meu coração
Com seus olhos foi pintando um dia
Reinventando a alegria, brancas nuvens de verão
E a poesia de repente volta a ter razão.”

 Cidade Oculta, música de autoria de Eduardo Gudin / Arrigo Barnabé / Roberto Riberti. Faz parte da trilha musical do filme homônimo dirigido por Chico Botelho.

                A essência do cinema é aforismática, isto é, você deve dizer muito com pouco. Só mestres do roteiro como Ingmar Bergman conseguem sustentar um filme de 2 horas e 35 minutos com muitos diálogos como INFIEL - Trolösa (2000), dirigido por Liv Ullmann e outros dirigidos por ele mesmo, gerando a catarse, mas mesmo assim, ele consegue isso nesse filme porque existe ritmo e mudanças de cenário em várias cenas. Ainda assim, mesmo um mestre como ele derrapa, isto é, acontece de ele realizar filmes repletos de diálogos e soar chato, como ele demonstrou em GRITOS E SUSSURROS - Viskningar och rop (1972) em que praticamente não existem mudanças de cenário e o filme é muito lento. Quando ele equilibra imagens e diálogos e segue a regra aforismática consegue fazer um filmaço como MORANGOS SILVESTRES – Smultronstället (1957), isso porque ele usa, ele trabalha, sabe trabalhar muito com os símbolos também*. Quando outros diretores levam ainda mais longe a utilização de imagens em relação aos diálogos, como fez Mario Peixoto em LIMITE (1931), líder das 2 principais enquetes feitas sobre os melhores filmes brasileiros realizados até hoje, a da CINEMATECA BRASILEIRA e a da ABRACCINE, esse ótimo resultado, e eu me incluo entre as pessoas que acham LIMITE um ótimo filme, não sei se o melhor filme brasileiro, mas entre os melhores, é fruto disso. 

            Pra sair um pouco da esfera dos cineastas mais simbólicos devemos ressaltar todo o dinamismo de DEPOIS DE HORAS – After Hours (1985), de Martin Scorsese e de SABOTADOR – Saboteur (1942), um dos melhores e menos conhecidos filmes de Alfred Hitchcock, dois filmes que sabem trabalhar muito bem o equilíbrio entre diálogo e imagem. Muita gente vai assistir a filmes por causa do diretor, mas isso é errado: a montagem e, principalmente o ROTEIRO é que fazem um filme ser bom ou não. Vejamos um ótimo diretor e alguns de seus filmes, por exemplo: começando por DUBLÊ DE CORPO – Body Double (1984) , de Brian De Palma. O roteiro vai muito bem até que, no final, acontece um deus ex machina em que um cachorro salva a personagem protagonista, estragando o filme e a bela direção de De Palma. Fez, depois um outro filme chamado OS INTOCÁVEIS – The Untouchables (1987) , este sim, muito bom e com um roteiro sem furos de autoria de David Mamet. Tinha feito, um ano antes, um filme com roteiro ruim chamado QUEM TUDO QUER, TUDO PERDE – Wise Guys  (1986), e naufragado. Em 1981, fez, aquele que eu considero seu melhor filme, UM TIRO NA NOITE – Blow Out (1981),  com roteiro e direção muito bons e que não se prende à obrigação de ter final feliz, pelo contrário, o final é trágico e no  epílogo choramos junto com a personagem interpretada por John Travolta. Peguemos agora um filme como SUPEROUTRO (1989), de Edgard Navarro. Nada daquela coisa sonolenta preconizada por Syd Field e Christopher Vogler de ter que mostrar o mundo comum da personagem durante um tempo que parece interminável (embora existam roteiristas que conseguem fazer esse panorama do mundo comum sem ser chato), o filme já começa a mil e segue assim durante quase todo o tempo gerando um filme muito bom, sem dúvida, feito com pouco dinheiro mas muita criatividade, assim como o é ILHA DAS FLORES (1989), de Jorge Furtado, que já tinha feito outros ótimo curtas: BARBOSA (1988), com co-direção de Ana Luiza Azevedo, O DIA EM QUE DORIVAL ENCAROU A GUARDA (1986),  ao lado de José Pedro Goulart (1986) e repetiu, depois de ILHA DAS FLORES o sucesso com  ESTA NÃO É A SUA VIDA, (1991), entre outros, se perdendo, porém, quando começou a fazer longas.

 *aliás, quem é que começou a usar e falar em dicionário de símbolos no cinema nacional? Eu. Aliás, ainda, como trabalho os meus roteiros? Usando drama, mitologia, realismo mágico, humor, sátira, simbolismo, como eu já frisei, estilo aforismático e intuição... quem sabe dizer o que mais eu uso? A linguagem das fábulas ou apólogos estilo Esopo? Sim. O que mais?Os elementos de retórica stricto sensu e lato sensu, como escrever histórias que não sejam nem abaixo da crítica, nem acima do gosto popular? Sim. O que mais?Quais os autores que me influenciaram?Eu não tento imitar ninguém. Eu uso coisas que aparecem nos sonhos que eu tenho? Sim. Eu uso experiências pessoais como conversas minhas ou dos outros que eu acabo ouvindo? Sim. Eu uso a inversão da ordem das falas ou dos diálogos? Sim. Eu uso história(s) secreta(s)? Sim. Eu faço transcriações de poemas, textos dissertativos, ou diálogos de outros filmes, isto é, eu distorço os diálogos ao meu bel-prazer?Sim. Eu boto falas nas bocas das personagens fiéis a textos de ficção ou não-ficção?Pouco, mas sim, prefiro distorcer. Eu uso a música como inspiração? Uso. Eu uso epifanias? Sim. Eu uso inversão lógica? Sim. Eu uso falsos finais e finais ocultos? Sim. Eu aproveito coisas que eu leio no jornal? Sim. Eu trabalho a mensagem nos meus roteiros? Sim, Leiam o DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS nº 8 e 9 deste Blog para entender. Eu falo de coisas complexas de forma simples? Sim. Eu uso trajetória circular? Sim, mas lembrem-se: isso não foi inventado pelos manuais de roteiro, já existia em histórias da mitologia. O que mais eu faço? Chuta aí!


P.S.: é importante, muito importante ter visão crítica.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

TALK RADIO - VERDADES QUE MATAM



Achei este comentário num site chamado Filmow. O texto é de autoria de Roberto Queiroz, foi postado muito provavelmente no ano de 2021 e aborda o filme TALK RADIO - VERDADES QUE MATAM, um filme de 1988 dirigido por Oliver Stone. Achei o texto muito pertinente e muito bom, razão pela qual estou destacando ele no Blog. 

Palavras podem causar danos permanentes

(Talk radio: verdades que matam, de Oliver Stone ou apenas a vida se transformando num entretenimento sujo e sórdido)

Embora eu seja formado em comunicação social sempre fui naturalmente desconfiado sobre certo tipo de profissional que trabalha nessa área. Trata-se de um mercado repleto de aspones, deformadores de opinião e gente que se acha a quintessência do universo simplesmente porque comanda um programa de auditório ou de rádio, chefia uma redação de jornal ou mesmo a bancada de um telejornal.

Em outras palavras: alguns profissionais se consideram indispensáveis dentro desse universo, chegando a se autointitular "a única versão relevante dos fatos".

Entretanto, há um lado meu também eternamente curioso sobre essas pessoas e como elas fazem o mundo girar ao seu redor até que uma catástrofe ocorra ou a lucidez prevaleça sobre seus argumentos. E a sétima arte está repleta de grandes exemplares dessa categoria (desde já indico aqui dois dos meus favoritos: Um sonho sem limites, de Gus Van Sant e O abutre, de Dan Gilroy).

Oliver Stone, um de meus cineastas-fetiche, sempre dedicou parte do seu tempo e sua obra cinematográfica a esmiuçar a podridão e a contraditoriedade que há por trás desse mundo midiático sórdido. E nos entregou longas que entraram para a história - seja pelo mérito pessoal deles, seja pela controvérsia embutida na história. E um deles eu vinha perseguindo durante anos em lojas de dvds usados, sites de streaming e cópias piratas, sem sucesso. Até anteontem.

Refiro-me à Talk Radio: verdades que matam, de 1988. E desde já adianto: valeu a pena esperar tanto tempo. É não somente ácido do início ao fim como diz muito sobre o que a sociedade americana acabou se tornando com o passar dos anos.

O filme nos apresenta o âncora do programa de rádio Night talk - em tradução rasteira: conversa noturna -, Barry Champlain (Eric Bogosian, fantástico!). Apesar do sucesso de sua faixa de programação ele é uma figura vista como execrável por grande parte da sociedade norte-americana e sua vida pessoal é uma verdadeira bagunça. Divorciado e tendo um caso com a produtora do show, chegou naquele ponto da própria existência em que o único motivo que o faz sair da cama todo dia são as noites de segunda, na qual apresenta seu polêmico programa.

Um novo patrocinador surge na rádio oferecendo-lhe a possibilidade de uma transmissão mais ampla e isso não o satisfaz totalmente, pois Barry exige manter o seu controle criativo. E qualquer interferência de fora, para ele, é uma ofensa. O que vale mesmo, o que tem importância na hora H, é como ele comanda o show. E é nesse quesito que se encontra o grande mérito do longa.

Digo isso porque a maneira como Barry conduz seu espetáculo é o retrato vivo e amargo dessa América que não se cansa de vender-se como "a maior nação de todos os tempos", mas na prática não passa de um país cheio de subterfúgios e contradições. E olha que, como disse num parágrafo acima, a película já tem mais de três décadas!

Barry xinga, insulta, esnoba ouvintes, só ouve e dá papo àquilo que o interessa, recebe um pacote-surpresa de um interlocutor revoltado, dá corda a tipos exóticos e nonsenses, pede pausas fora de hora, ausenta-se (irritando até mesmo o seu empregador), e ainda dá atenção à ex-esposa, que ele convida para dar uma força a ele nesse momento de reviravolta na carreira.

Porém, é preciso enxergar as entrelinhas de toda essa discórdia. Oliver Stone está, na verdade, jogando o seu holofote sobre a vida e como nós, seres humanos, decidimos transformá-la num "entretenimento sórdido" (expressão, por sinal, da qual ele se utiliza quando chega ao apogeu da sua impaciência, num monólogo que por si só já vale pelo filme todo).

Ao final da sessão e completamente sem fala diante do desfecho aterrador, o que percebo é que Talk Radio meio que profetizou a sociedade contemporânea (que o diga os EUA). Viramos reféns da indústria falaciosa criada pela mídia e as corporações que vendem entretenimento óbvio e evasivo. E pior: nos orgulhamos de nossa acomodação, porque lutar contra é tão duro, cansativo e pouco recompensador que não vale o esforço. Pelo menos, não para a grande maioria que se diz "antenada com essa tal de globalização".

E o mais triste disso tudo é pensar que até mesmo hollywood já foi mais interessante e denunciatória quando o assunto era roteiro, boa história, etc. Agora precisamos nos contentar com literatura fantástica e homens e mulheres com superpoderes.

É... O mundo - e a indústria cinematográfica - não são mais os mesmos! E palavras, agora mais do que nunca, podem causar danos permanentes e irreversíveis.