Blog dedicado a cinema, literatura e política

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

SÉRIE PENSAMENTOS IMPORTANTES (13)


PROJEÇÃO

Depois dessa bobagem de projeção todo mundo se safa, o que existe é carência de projeção de bons filmes, ainda mais com esse monopólio de público da Globo Filmes, que subestima a inteligência do público e mesmo assim faz sucesso. Deixa o público assistir coisas mais inteligentes pra ver se ele não vai gostar?Será?Sim ou não?Pensem sobre isso...



quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

POSIÇÃO TOMADA – SEMPRE FOI...



Sou francamente contrário ao plágio. Nunca autorizei ninguém a divulgar minhas histórias, pois isso facilita o plágio. Quando eu quis divulgar eu mesmo divulguei. Desrespeitar um companheiro de profissão é uma coisa condenável, sem dúvida, ainda mais quando este companheiro ainda não transformou ainda o seu roteiro em filme. Acho lamentável a falta de respeito generalizada pelos companheiros como ocorre atualmente, num “levar vantagem em tudo”, num “foda-se, eu quero mais é me dar bem”, num “eu não gosto desse cara mesmo”, “ele é otário mesmo, então vou me aproveitar” etc etc etc nessa razão cínica deplorável que grassa na classe cinematográfica.

A transcriação, no seu sentido lato, em vez disso, trabalha com coisas que JÁ FORAM publicadas ou filmadas, pegando uma base de uma determinada passagem de um filme ou livro pra fazer uma coisa nova, é uma prática inventiva, isso além do fato dos direitos serem respeitados, já que esses filmes ou livros JÁ FORAM realizados. Ainda nos anos 30, já falando também de literatura, Jorge Luis Borges fez isso no seu livro HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA com histórias de terceiros mexidas à vontade pelo mestre dos contos, mas eram histórias QUE, JÁ TINHAM SIDO PUBLICADAS ANTERIORMENTE; Eu, pessoalmente, não vejo graça em fazer as chamadas citações, pois essa simplesmente repete o trecho para quem conhece a cena antiga, ou então não é vista como plágio pelos espectadores que não conhecem o filme anterior, existindo portanto, o desrespeito a esse filme anterior, seu diretor e seu roteirista, por mais que o diretor que faz a citação chame isso de homenagem. É claro que, se o crédito da passagem copiada for dado, o delito é menos grave e até aceitável para alguns. É claro, também, que o plagiador, querendo ou não, fica com um manto enorme de vergonha.

É claro que existe um LIMITE (1930), pois o diretor-roteirista desse filme, Mário Peixoto, por exemplo, viu uma foto numa revista e a usou nesse filme, o que não dá pra chamar de plágio, filme este, que, aliás, foi eleito numa enquete em 1988 como o melhor filme brasileiro de todos os tempos. Não dá pra considerar plágio coisas como notícias de jornal, fotos, como usou Peixoto, gravuras ou músicas, essas coisas são inspiração. Mas também existem coisas que não dá pra aturar, como a frase do Chacrinha: “nada se cria, tudo se copia”.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS (5)



BIZOOOOOOOOOOOSSS!!!







I.  AS LIMITAÇÕES COMO FERRAMENTAS CRIATIVAS  

 É coisa comum entre os poetas dizer que a brevidade, a rima,  a quantidade limitada dos versos e/ou estrofes funcionam como limitações que, em vez de prejudicar, incentivam a criatividade. O mesmo acontece com o conto e com os filmes. Nadia Batella Gotlib em “Teoria do Conto” fala da força concentrada do conto. Carlos Reichenbach falava da falta de condições como instrumento de criação, se referindo à direção e também ao roteiro, pois, mesmo quando o diretor mexe no roteiro feito pelo roteirista, ele está fazendo... ROTEIRO. Charles Bukowski usava os capítulos curtos para dar mais ritmo aos seus romances, o mesmo fazia John Fante. O objetivo da cena também pode servir como limitação ajudando a criatividade, na medida em que o roteirista se foca no objetivo e preenche as lacunas na busca do seu objetivo naquela determinada cena. Os roteiristas podem usar, também, por exemplo, a trajetória circular numa só cena e não apenas no começo e no final do roteiro, pra refletir melhor o que mudou, ou, pelo contrário, afirmar que nada mudou, existem as 2 teorias. Eu, particularmente, fico com as 2, entendendo que é possível acontecer essas 2 mensagens. Como exemplo de que nada mudou existe o ótimo filme de Luis Buñuel – O FANTASMA DA LIBERDADE – enquanto exemplos de que as coisas mudaram pode ser visto na mitologia grega e em diversos filmes estadunidenses.

II.  A inversão da ordem dos diálogos ou de frases:
            
                1)Não preciso dizer mais nada!
                   Vocês vão ter que me engolir!

                2)Vocês vão ter que me engolir!
                   Não preciso dizer mais nada!
    
               Usei isso várias vezes, a 1ª foi em BLASFÊMIA – UMA                      INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO BRASIL – 500 ANOS, em que as palavras do técnico de futebol Zagallo quando estava desabafando contra os críticos virou, invertendo-se a ordem do que ele disse, voz de pipoca falante, a exemplo das fábulas, em que coisas inanimadas dizem coisas e acabou caindo como uma luva, isto é, houve, com sucesso, uma ressignificação. Outra coisa que pode ser feita é inverter a ordem das cenas, é uma coisa que às vezes dá resultado.


III.         O truque clássico dos filmes de ação como O JUSTICEIRO, de Jonathan Heinsley, RISCO TOTAL de Renny Harlin, DARKMAN – VINGANÇA SEM ROSTO, de Sam Raimi, e muitos outros, é fazer o protagonista ser atingido por alguma grande tragédia para angariar a simpatia do público desde o começo. O procedimento, no entanto, pode ser usado em outros gêneros, como o drama.

IV.          O acaso a favor do protagonista não é aceito pelos roteiristas sérios, sérios no sentido de competentes e honestos e não de sisudez, diga-se. Mesmo antes de estudar roteiro eu não suportava esse chamado DEUS EX MACHINA, em que, por exemplo, um protagonista é ajudado por um engasgar da arma do vilão na hora H – veja A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO, de Richard Donner, com Mel Gibson e Julia Roberts, por exemplo - embora eu não chamasse esse procedimento por esse nome ainda. Em DUBLÊ DE CORPO, de Brian De Palma, já no final do longa, um cachorro aparece de repente e salva o protagonista interpretado por Craig Wasson, estragando o filme e a ótima direção de De Palma. Coisa semelhante ocorre em FEMME FATALE, também com direção de de Palma, em que somos obrigados a acompanhar toda a trajetória de uma personagem, e o filme ia muito bem até aí, para descobrir que ela estava apenas sonhando. Já o acaso contra o protagonista é muito bem visto, aceito e utilizado pelos bons roteiristas e escritores, vide os quadrinhos e os filmes do HOMEM-ARANHA em que o protagonista, Peter Parker, aprende que com o poder vem a responsabilidade, graças a uma coincidência: o ladrão que ele deixa escapar, por ter sido maltratado por um empregador, é o mesmo que mata seu tio Ben Parker. Já em O GRANDE GOLPE, de Stanley Kubrick, ótimo filme aliás, o acaso arrasa os planos de uma personagem produzindo um final impactante. Às vezes o roteirista brinca com esse DEUS EX MACHINA e a arma dos 2 oponentes principais engasga na hora H.

V.              Estou levantando uma bandeira: sou a favor de que a autoria do filme seja dada ao diretor(es) e ao(s) roteirista(s). Alguns roteiristas americanos levantaram essa bandeira e durante um curto período de tempo alguns filmes vieram assinados pelo diretor(es) e pelo(s) roteirista(s), embora lá nos EUA, as coisas sejam diferentes até certo ponto, pois lá quem ganha o Oscar de melhor filme, por exemplo, é o produtor e não o diretor.


VI.           O Motivo do Duplo é Muito Antigo

Borges escreveu “O Outro”, presente em seu livro “O Livro de Areia”

“(...) motivou tantas vezes a pena de Stevenson. Na Inglaterra, seu nome é fetch ou, de maneira mais livresca, wraith of the living, na Alemanha, doppelganger. Suspeito que um dos seus primeiros apelidos foi o de alter ego. Esta aparição espectral terá procedido dos espelhos do metal ou da água, ou simplesmente da memória, que faz de cada um um espectador e um ator. Meu dever era conseguir que os interlocutores fossem bastante diferentes para serem dois e bastante parecidos para serem um. Valerá a pena declarar que concebi a história às margens do rio Charles, na Nova Inglaterra, cujo curso frio me lembrou o distante curso do Ródano?”

Jorge Luis Borges

Buenos Aires, 3 de fevereiro de 1975


ALGUNS EXEMPLOS DO MOTIVO DO DUPLO NA LITERATURA, NO CINEMA, NOS QUADRINHOS E NA TELEVISÃO:

William Wilson – Edgar Allan Poe – Conto; O Outro – Jorge Luis Borges - Conto; O Homem que Não Era – Direção de Basil Dearden, filme com Roger Moore, ex-007; O Médico e o Monstro – Robert Louis Stevenson, Romance; O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde), filme de 1941, do gênero drama de horror, dirigido por Victor Fleming e um remake do filme Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Rouben Mamoulian (1931); O Incrível Hulk – Quadrinhos e cinema; O Homem Duplicado, filme de Dennis Villeneuve; Clube da Luta – Filme de David Fincher com Edward Norton e Brad Pitt; O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde – Livro e Filmes; O Vingador do Futuro, filme de Paul Verhoeven, com Arnold schwarzenegger; Coração Satânico, filme de Alan Parker, com Mickey Rourke e Robert de Niro; Na telenovela brasileira, temos o exemplo de O Outro, de 1987, com Francisco Cuoco encarnando duas personagens.

Destaques:

1)O Homem Duplicado (no original em inglês, Enemy) é um filme de suspense psicológico dirigido por Denis Villeneuve que baseia-se no livro homônimo de José Saramago. O longa conta com Jake GyllenhaalMélanie LaurentIsabella Rossellini e Sarah Gadon nos papéis principais. 


2)O HOMEM QUE NÃO ERA(“THE MAN WHO HAUNTED HIMSELF”) – filme de 1970

Ao voltar para casa, o executivo Harold Pelham (Roger Moore) sofre um terrível acidente de carro. Levado às pressas ao hospital, ele fica clinicamente morto por alguns minutos, mas logo retorna à vida. Após ser liberado, ele percebe que alguém está usando seu nome e que esse estranho compartilha sua casa, toma decisões nos seus negócios e infiltra-se em sua família. Apesar de todos os esforços para descobrir a identidade do intruso, Harold fracassa: o impostor possui uma personalidade volátil, agressiva e não perde tempo em deixar claro que planeja se livrar dele e assumir para sempre o seu lugar. Foi baseado no romance The Strange Case of Mr Pelham, de Anthony Armstrong, que foi originalmente publicado em 1957.

3)Coração Satânico(“Angel Heart”) - 1987  
Em 1955, em Nova York, o detetive particular Harry Angel é contratado para encontrar um cantor desaparecido no final da Segunda Guerra Mundial. Sua investigação o leva a Nova Orleans, onde feitiçaria e assassinato seguem seus passos. Ótimo roteiro e direção. Baseado no livro homônimo de William Hjortsberg.


Você também pode gostar de ler:

     Teoria do Conto – Nadia Battela Gotlib – Editora Ática

           Os 100 Melhores Contos de Crime e Mistério da Literatura Universal – Vários Autores – Flávio Moreira da Costa – Organizador - Editora Ediouro

            Antologia da Literatura Fantástica – Adolfo Bioy Casares, Jorge Luis Borges e Silvina Ocampo – Organizadores - Editora Companhia das Letras

            O Herói de Mil Faces – Joseph Campbell – Editora Cultrix/ Pensamento

SÉRIE PENSAMENTOS IMPORTANTES (12)


Inveja

"Fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal!" - Tom Jobim

terça-feira, 16 de abril de 2019

DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS (4)


As metáforas e contos são ferramentas importantes na educação. A humanidade, em sua fase oral, utilizava os contos, os adágios, as parábolas, as metáforas, para ensinar às gerações mais jovens, a história e estórias de sua própria gente, dos antepassados míticos e heroicos. Os modernos conceitos de metáfora, baseado na obra de Milton Erickson, adotados pela PNL, incluem símiles, parábolas, alegorias ou figuras de linguagem que impliquem uma comparação. Mas as histórias, fábulas e parábolas constituem suas formas mais evoluídas.

As metáforas comunicam indiretamente. E é um processo de linguagem que consiste em fazer uma substituição analógica. Metáforas simples fazem simples comparações: "meter a mão em cumbuca, feio como o diabo, fazer das tripas coração". Metáforas complexas são histórias com diversos níveis de significado. "Uma metáfora contada de maneira clara e simples distrai a mente consciente e ativa a procura inconsciente de significados e recursos" (O'CONNOR, Joseph e SEYMOUR, John. Introdução à programação neurolinguística. São Paulo: Summus, 1995). Quer dizer, revelam elementos ocultos que apenas o inconsciente pode perceber e utilizar.

As metáforas podem adotar várias formas, dependendo do efeito que se deseja, do conteúdo que se quer veicular, do tempo disponível, do interlocutor ou de grupo de ouvintes. Alguns tipos de metáforas que interessam à educação:

As imagens. São rápidas e simples. Ilustram bem o oral e o escrito. No fundo é uma palavra ou frase que muda de sentido: pegar o touro a unha; ficar de nariz torcido; tapar o sol com a peneira.

As comparações. Também são imagens. Contêm, no entanto, um elemento comparativo: fumar como uma chaminé, beber como um gambá.

Os provérbios. São máximas ou sentenças de caráter prático e popular, comum a todo um grupo social, expressa em forma sucinta e geralmente rica em imagens: quanto maior a nau, maior a tormenta; gato escaldado tem medo de água fria.

As anedotas e as citações. São relatos sucintos de fatos jocosos ou curiosos vividos por outros e citados entre aspas, pelo autor do discurso ou do texto: "Isto me faz pensar na pergunta que fulano fez durante…"; "Como teria dito o professor de português…".

Os mitos e os contos. Histórias imaginárias, geralmente de origem popular, que colocam em cena heróis que encarnam forças da natureza ou aspectos da condição humana durante incidentes que não teriam acontecido, mas que fazem parte do inconsciente coletivo: o mito do paraíso perdido, as mitologias greco-romanas, os contos de fada.

Narrações, parábolas, histórias. São formas metafóricas mais completas e complexas. Para gerar mudanças no interlocutor a história há que possuir formas semelhantes à realidade vivida por ele.
Como funcionam as metáforas
Uma metáfora apresenta "um equilíbrio sutil entre, por um lado, a especificidade dos elementos nela incluídos, a fim de persuadir o interlocutor ou leitor da semelhança entre a história e a sua própria situação e, por outro lado, uma certa imprecisão, lacunas no conteúdo, "jogo" (no sentido mecânico da palavra), para que ele aceite a metáfora e receba dentro do seu próprio modelo de mundo. (LONGIN, Pierre. Aprenda a liderar com a programação neurolinguística, Rio de Janeiro: Qualitymark, 1996.)

O professor deve deixar lacunas no índice referencial: "Em um país longínquo…", "Era uma vez um velho rei…". Trabalhar com verbos inespecíficos: chegar, dizer, fazer, discutir, etc. e com nominalizações: espírito, sabedoria, esperança, santidade, amor, verdade, etc. Disfarçar as determinações ou sugestões, colocando-as a boca de personagem: "Eu não sabia, mas o cordeiro sabia!".
Como se cria uma metáfora para mudança pessoal
José Carlos Mazilli in "Manual de Programação Neurolinguística", (São Paulo: Edição do Autor, 1996) descreve da seguinte maneira a criação de uma metáfora:

1.  O primeiro passo para se criar uma metáfora é saber o estado atual e o estado desejado do ouvinte. A metáfora será a história ou a jornada de um ponto para o outro.
2.  Decodifique os elementos de ambos os estados: pessoas, lugares, objetos, atividades, tempo, sem perder de vista os sistemas representacionais e submodalidades de cada um desses elementos.
3.  Escolha um contexto adequado para a história. De preferência um que seja interessante, e substitua os elementos do problema por outros elementos, porém mantendo a relação entre eles.
4.  Crie a trama da história de maneira que ela tenha a mesma forma do estado atual e conduza-a, através da estratégia de ligação, até a solução do problema (o estado desejado) sem passar pelo hemisfério esquerdo, indo direto ao inconsciente.

João Nicolau Carvalho professor universitário, Trainer em PNL, Coach certificado

Mais textos sobre metáforas na internet:

Metáforas

Você também pode gostar de Ler:

As Fábulas de Esopo - Prefácio, introdução e notas de Manuel Aveleza de Sousa - Editora Thex


segunda-feira, 8 de abril de 2019

COMUNICADO

Este blog pretende ser uma central de textos interessantes, e não apenas um espaço para meus próprios. Desde que seja dado o crédito, e é o que acontece, acho mais do que válido existirem atalhos voltados para a área de cinema e literatura. Com relação a spoilers, acho mais do que oportuno eu colocá-los, quem quiser apreciar melhor minhas críticas ou coletânea de textos de outros, deve assistir primeiro aos filmes ou ler os livros, pois eu contando o que acontece no filme ou livro sem preocupações como não revelar o final ou ações cardeais, a crítica se torna mais completa. Tomo o cuidado, porém, de avisar quando existem spoilers para não pegar o leitor desavisado.

BELO POEMA






Vai, Carlos, ser  Marighella na vida

 José Carlos Capinan

Ai Brasil, 
Quem escapa do desamor em tuas noites ferozes
 Quem se salva da ciência dos teus doutos sábios doutores 
Quem foge de teus senhores algozes
 Nasce com alguma forma de homem

E se não morre dos sete dias
Nem do angu de farinha
 Vai um dia pro batismo
 Recebe por sorte um nome

Vai ser João ou Maria
 Vai ser José ou das Dores
 Vai ser de Deus Jesus ou dos Santos
 Ou serão Carlos que nunca foram 
E serão assim brasileiros como tantos

E serão sempre brasileiros
 Que serão de algum terreiro
 Bloco sujo carnavalesco
 Lesco-lesco café ralo com torresmo
 Ou de nada nada mesmo
 Como nós assim a esmo

E quem capitão de areia num livro de Jorge Amado
 Aprende lição das coisas
 E quem insone nas madrugadas é mulher de lobisomem
 Ou aprende nas ciladas que o pior lobo dos homens
 Talvez seja o próprio homem
 Quem retirante escapa num quadro de Portinari
 Quem poeta quer ter frátria de Veloso ou de Vinícius pátria amada
 Quem gracilianamente deságua desta vida seca agrária
 Ou na solidão urbana sonha a vida humana solidária
 Quem na cartilha suburbana soletra o nome fulô
 Quem nasce de negra índia ou branco
 E sobe ligeiro ou manco as ladeiras do Pelô
 Quem descasca uma banana
 E se consome no sonho da grande mesa comum
 Para a imensa toda fome
 Quem assim vive não morre
 Vai virando jacarandá ou poesia pau-brasil
 Virando samba e cachaça
 Se torna gol de Garrincha se torna mel de cabaça
 Se torna ponta de lança do esporte clube da raça
 Se torna gente embora gente nem nascida
 Mas (quem sabe?) pode ser

Um dia gauche na vida
Se torna nossa aquarela
Torna-se Carlos Marighella
Um anjo doce na morte
Que os homens tortos quiseram
 Sem que te matassem ainda

DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS (3)




A extensão exterior do espaço interior, ou transferência de significado, ocorre quando uma(s) personagem(ns) plana(s) ou, mesmo que seja redonda (sinônimo de complexa), faz uma ação que se refere a um significado pertencente a uma complexa. É o que acontece no filme UMA LIÇÃO DE TANGO, sobre o qual fiz um texto no meu blog anterior(12ª aula) – leiam o texto:


É o que acontece também em 2 das cenas do roteiro que estou fazendo, já registradas na FBN, diga-se de passagem:


O TEMPO SAGRADO – CLANDESTINO

2 – INTERIOR - DIA

Num boteco pé-sujo JONAS está terminando de beber, em pé, um COPO com cerveja, várias GARRAFAS DE CERVEJA estão do lado do copo. Um CLIENTE ENTRA e dá uma nota de dinheiro pro GARÇOM.

CLIENTE

Vê um cigarro à varejo!

O garçom dá um cigarro para um cliente.

GARÇOM

Quer café?

O cliente faz que não com a cabeça.

GARÇOM

Quer troco?

O cliente faz que não com a cabeça.


Quer boceta?

CLIENTE

Não, nem isso eu quero...

Um velho no bar dá uma gargalhada.



Jonas coloca o copo na boca e termina de beber, enquanto diz ao mesmo tempo:

JONAS
 (VOICE OFF)

Eu ando assim também, nem isso me anima mais.

A gargalhada continua em OVER.


Jonas deixa o copo com um pouco de líquido no balcão e SAI. O copo cai de lado e VEMOS o conteúdo lentamente escorrer pelo balcão.


3 – EXTERIOR - DIA

A gargalhada continua em over e vai sumindo aos poucos, JONAS, que estava andando, pára, puxa um cigarro do bolso, acende o cigarro e pára de andar na rua olhando pro horizonte. UM HOMEM NEGRO de ÓCULOS ESCUROS, sentado na rua num batente de loja fechada, começa a tocar violão e cantar a música “José?”, poema de Carlos Drummond de Andrade musicado por Paulo Diniz . Jonas se vira, olha pra ele por um instante e volta a andar rapidamente atirando o cigarro que estava fumando no chão.


Pra que fazer isso?MOSTRAR EM VEZ DE CONTAR É MELHOR na maioria das vezes, é mais cinematográfico. A VOZ OFF é um recurso útil pra demonstrar o que a personagem está sentindo, mas às vezes pode cansar se for usada de forma excessiva ou em momentos errados. A transferência de significado, ou extensão exterior do espaço interior, é uma boa opção, até para variar - A busca de soluções menos óbvias e de maior concisão, quer dizer, em muitos casos MENOS É MAIS. O diálogo até pode ser mais um elemento pra conflitar e/ ou harmonizar com outros elementos como as cores, a imagem como objetivos da cena e do filme em geral, o ritmo e os elementos de retórica – estes, podem ou não sair da boca das personagens,  pode ser um recurso imagético também, isso depende - mas virar teatro filmado é horrível, deixa de ser cinema, é a minha opinião.

Você também pode gostar de ler:

Textos na Internet sobre o pensamento lateral:  O Pensamento Lateral texto 1
                                                                                 O Pensamento lateral Texto 2

Livro:


O Pensamento Lateral - Edward de Bono - Editora Record



domingo, 31 de março de 2019

DON JUAN DE MARCO







Filme escrito e dirigido por Jeremy Leven
Interpretação simbólica por Walter Boechat (*)
Don Juan é personagem fictício, geralmente tido como símbolo da libertinagem. Originado no folclore, adquiriu forma literária no romance do sec. XVII El Burlador de Sevilla (1630), atribuído ao dramaturgo espanhol Tirso de Molina. Posteriormente, tornou-se o herói-vilão de romances, peças teatrais e poemas; sua lenda adquiriu popularidade permanente através da ópera de Mozart Don Giovannni (1787).
A estória conta como no ápice de sua carreira licenciosa, Don Juan seduz uma mulher de nobre família e mata seu pai. Mais tarde, vendo uma estátua de pedra no túmulo do comendador, pai de sua ex-amante, convida-a a jantar com ele, de forma irônica. A estátua de pedra aparece de forma aterradora ao jantar do conquistador, que não se arrepende de seus atos anteriores e é levado à danação eterna em meio a chamas e grande estrondo.


Através da estória de Tirso de Molina, Don Juan tornou-se um protótipo universal, como Don Quixote, Hamlet e Fausto. Outras versões do original de Tirso de Molina apresentam variações; assim El Convidado de Piedra de Antonio de Zamora, popular no sec. XVIII, reduz a catástrofe final do drama de Molina.
Algumas versões não-espanholas também se tornaram bastantes conhecidas, como o drama de Molière Le Festin de Pierre, o poema satírico de Byron Don Juan e o drama de Bernard Shaw Man and Superman.
Este aparecimento contínuo da temática de Don Juan, tema central do filme de Jeremy Leven, e seu repetido sucesso em literatura, teatro e ópera em diversas línguas apontam para sua importância psicológica. Sua repetida emergência nas artes e posteriormente na psicanálise- a conhecida problemática do donjuanismo que chamou a atenção de Freud- apontam para o fato de que Don Juan é uma figura mitológica, arquetípica, um arquétipo cultural do inconsciente coletivo a ser considerado.
Qualquer forma de arte, assim como os mitos, são veículos para a expressão do inconsciente coletivo, e seus conteúdos, os arquétipos, como so definiu Jung. As múltiplas variações literárias de Don Juan, a partir da versão mais antiga de Molina, apontam para uma necessidade, quase uma urgência, de expressão dessa curiosa figura, ao mesmo tempo sedutora e perigosa.
Consideramos esta necessidade de expressão na figura mitológica como uma elaboração a nível cultural de uma problemática essencialmente humana, arquetípica. Seguindo Lévi-Strauss, podemos considerar o mito como a totalidade de todas as suas variantes, já que todas as variantes do mito são importantes. O filme de Jeremy Leven pode ser encarado como mais uma variação do mito original de Don Juan, reatualizado e adaptado a circunstâncias atuais.
É interessante lembrar que em certos trechos do filme diversas versões do mito de Don Juan são lembradas, como que para assinalar sua importância cultural. Assim, quando o psiquiatra visita a casa de seu paciente, encontra duas versões da saga de Don Juan, El Burlador de Sevilla, de Molina e Don Juan, de Byron. Em casa, o terapeuta, que normalmente detesta ópera, escuta o Don Giovanni, de Mozart.
No tocante ao mito original de Don Juan, sua estória nos fala de sua virilidade e compulsão sexual não controlada. O assassinato do pai de uma de suas amantes, trazem a idéia de que há uma incompatibilidade entre o complexo juvenil e o arquétipo do pai, princípio da lei e da ordem. Jung denominou essa figura arquetípica presente em diversos mitos e na literatura de puer aeternus,- eterna criança- seguindo Ovídio, que em sua obra Metamorfoses, assim chamou o menino Cupido, filho de Vênus, portador da aljava de flechas do amor, um puer aeternus avant la lettre. (Aliás, no filme, a ilha de Eros -ou Cupido- ocupa lugar de destaque).
O homem identificado com o arquétipo do puer aeternus tem uma incapacidade de integrar o princípio do pai, tão necessário para o desenvolvimento da consciência. Daí o arquétipo do pai aparecer petrificado como estátua de pedra. A petrificação do pai indica a impossibilidade da vitalização do ego por seus conteúdos estruturantes, pertinentes à ética, moral e limites do possível. A condenação final de Don Juan na estória de Molina aponta para o desfecho trágico, uma psicopatia ou neurose grave sem resolução.
O filme de Jeremy Leven, entretanto trás uma inversão importante em relação ao mito original; agora é Don Juan o portador da renovação e não o seu oposto arquetípico, o arquétipo do pai. Agora, é enfatizada a renovação que o paciente que se julga Don Juan produz em um psiquiatra prestes a se aposentar, distante de sua mulher e de uma vida amorosa criativa.
Na verdade, o filme aponta para uma dialética em termos ideais dos dois princípios, a criança Don Juan e o pai- terapeuta. O paciente tem uma estória pessoal estéril e sofrida. Nasceu filho de um pai pouco presente e em nada significativo. A mãe teve inúmeros envolvimentos amorosos extra-conjugais; quando o paciente tinha 16 anos, o pai veio a morrer atropelado por automóvel. Sua mãe, possuída pelo remorso, interna-se em um convento em uma pequena cidade do México.
Esta história pessoal surge no fim do filme, quando o paciente finalmente discorre, em perfeito contato com o mundo concreto, sua vida. Preferimos a expressão “mundo concreto”, em vez de realidade, pois toda a narrativa mitológica de identificação com El Burlador de Sevilla é real, na medida mesma em que é psicológica. Esse in Anima, é o moto de Jung, que significa que a realidade da piquê é tão realidade quanto a realidade do mundo concreto, e não menos importante que esta última.
No caso, as imagens simbólicas estruturadas pelo paciente, têm uma função organizadora sobre seu psiquismo, e não desorganizadora. É um quadro histérico típico, podemos dizer. Sim, é verdade, apenas para nos orientarmos de forma psicodinâmica, dentro de um diagnóstico sindrômico, o qual nos protegeria do erro fundamental de querer medicar o paciente com drogas anti-psicóticas como se ele estivesse em surto psicótico, como ocorre no filme.
A realidade da alma do paciente é Don Juan, e muito mais tolerável do que a realidade externa, estéril e sofrida. Mas percebemos também que a realidade do psiquiatra não é saudável, por sua parte. Nesta variação mitológica, o puer aeternus interage com seu oposto, o senex, o pai, que como todo símbolo, é pleno de ambigüidade: dá a noção da realidade e de limites, mas também representa a senilitude, a decadência e a monotonia da repetição. O senex personifica o próprio pai Saturno, que devora seus filhos logo após nascerem, impedindo a renovação. A dualidade puer et senex se estrutura no filme com clareza.
Neste aspecto, a escolha de atores não poderia ter sido melhor. Marlon Brando tem, pelo menos à época desse trabalho, o perfeito phisique du rôle. O corpo enorme, com uma obesidade que se destaca desde sua primeira aparição, contrasta perfeitamente com o corpo leve, dançarino e esbelto do Johnny Depp. O peso do saturnino senex em contraste com a leveza mercurial do puer.
Fica claro, logo que penetramos na intimidade da vida do psiquiatra, que ele necessita da leveza de seu paciente. Mercúrio é leve demais, plaina no alto de edifícios e pode se suicidar, mesmo que essa tentativa de autodestruição seja muito mais teatral que verdadeira. Saturno, cujo metal é o chumbo, afunda-se em sua melancólica aposentadoria. Suas defesas obsessivas pelo trabalho não serão mais possíveis, ele precisa agora confrontar suas fraquezas conjugais.
A alquimia do chumbo em conjunção com o mercúrio, levando ao equilíbrio, é por demais artificial, é quase como se fora a fabricação da pedra filosofal por algum alquimista. Podemos vê-la como uma metáfora, e toda metáfora admite uma leitura em vários níveis.
A grande terapia do paciente identificado com o arquétipo de Don Juan não é nenhuma medicação anti-psicótica possível, mas a transferência, o importante fator de transformação. A transferência, em sentido amplo, no qual o analista também transfere, e não apenas contra-transfere. Jung, já apontara na década de ’40 que analista e analisando são como duas substâncias químicas que interagem; isto é, o analista também transfere, e transforma-se mesmo no processo terapêutico em que há transmutação psíquica em profundidade.
Se o mercúrio é leve demais, e precisa do peso e a limitação do chumbo terapêutico, também este último necessita da imaginação mercurial em seu processo existencial. O analista de Jeremy Leven é ajudado por seu paciente.
Este processo alquímico refere-se a processos ainda mais profundos do aqueles que Money-Kirley quis enfatizar com seu conceito de contra-transferência normal, avançando a noção mais clássica de Freud de que a contra-transferência seria sempre indesejável.
Vários símbolos importantes perpassam o filme e têm importância para uma interpretação simbólica. Em primeiro lugar, a máscara.
O paciente passou a usar estranho traje do tipo espanhol com máscara. Relata ter passado a usar máscara aos 16 anos quando se afastou de sua mãe, a quem denomina D. Inez. Fala com curioso sotaque espanholado. A máscara aparece ainda em fotos de uma mulher de revista pornográfica por quem o paciente se sentira atraído e o rejeitara, quando esse lhe telefona.
Posteriormente, quando em seu riquíssimo mundo de fantasia, Don Juan torna-se náufrago, encontra a mulher de seus sonhos em uma ilha deserta. Ao lhe contar todas as suas conquistas, perde seu amor, a mulher desejada foge dele. Desde então, Don Juan promete nunca mais retirar a máscara, pela perda do objeto amado.
Em todas estas situações a máscara representa o objeto de desejo perdido; ocorre uma identificação com o objeto sexual desejado. Representa portanto uma situação de perversão e fetichismo; uma estruturação perversa de suas defesas psíquicas.
Quando Don Juan é enviado para Cadiz por sua mãe, logo após esta abraçar a vida religiosa, o navio o leva para um sultanato como escravo. Neste local, veste-se como mulher para ser amante da rainha, além de conviver no harém com inúmeras outras mulheres, em experiência sexual contínua.
O próprio sultão acaba por escolhê-lo como futura companheira, em sua forma transvestida. Aqui o transvestismo, donjuanismo e homossexualismo são mencionados de forma bastante explícita e interconectados. Estas vivências representam uma profusão de figuras femininas no inconsciente, que invadem mesmo a consciência, levando a uma identificação com o objeto (transvestismo e perversão).
Perdido o objeto de desejo, quando Don Juan é obrigado a partir de navio, sob ameaça de morte, novamente veste a máscara. Isto é, a máscara aparece em Don Juan sempre que o objeto desejado é perdido.
A máscara aparece em outro contexto quando o paciente diz ao Dr. Mickler que este necessitava de seu mundo imaginal, e pergunta se seu verdadeiro nome não é Don Octavio de Flores, o nome fictício que o terapeuta usara na abordagem inicial de seu paciente. Dr. Mickler responde que seu nome é Don Octávio de Flores e que Don Juan penetrara na sua verdadeira identidade, retirando todas as suas máscaras.
Fica claro que o símbolo da máscara adquire um significado inteiramente diferente quando se refere ao psiquiatra. Em Don Juan é um símbolo de sua intensa e exagerada relação com o inconsciente, a mulher mascarada da revista pornográfica simboliza o inconsciente deste paciente, seria o que Jung denominaria figura de anima, quando o paciente usa máscaras ele está sempre se identificando com sua anima, ou seu inconsciente.
Quando o dr. Mickler fala que suas máscaras foram retiradas, refere-se a uma identificação com sua persona profissional de psiquiatra que já pesa demais, já empecilho para um encontro criativo com sua vida amorosa e com sua identidade.
A persona, segundo Jung, é a máscara de adaptação social, necessária ao indivíduo, desde que ele não se identifique com ela. Dr. Mickler aprende com seu paciente a se desidentificar com sua persona ou prósopon, a máscara teatral do ator grego antigo. A máscara é necessária, mas pode também sufocar.
Percebemos, portanto, no simbolismo antitético da máscara, a polaridade dos personagens terapeuta e paciente, que proporciona o dinamismo de transferência e contra-transferência extremamente complementar.
Na verdade o filme, como já referimos, uma nova variação mitológica da saga de Don Juan, aponta para estes dois pares arquetípicos do inconsciente coletivo, a díada puer-et-senex, que estão presentes no mundus imaginalis de todos nós.

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(*) Comunicação em mesa redonda, após a exibição do filme, promovida pelo Instituto de Medicina Psicossomática do Rio de Janeiro, na Casa de Cultura Lauro Alvim- Rio, abril de 1997.


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Mitos do Individualismo Moderno - Ian Watt - Jorge Zahar Editor

quinta-feira, 28 de março de 2019

DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS (2)




A aplicação dos truques de roteiro podem ser feitas à posteriore, assim você deixa a inspiração guiar e depois faz uma revisão mais racional. Porém, o que acontece muitas vezes, pelo menos comigo, é as 2 coisas se misturarem enquanto eu faço o roteiro. 

terça-feira, 26 de março de 2019

DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS (1)




MCGUFFIN e MISTÉRIO

“A solução do mistério é sempre inferior ao mistério.” – Jorge Luis Borges

Borges, que embora tenha cunhado essa máxima, mostrou, em alguns de seus contos, que o que ocorria era o contrário, define o que acontece na maioria das vezes. Exemplo: a explicação final e decepcionante de PULP, livro de Charles Bukowski, um mcguffin insatisfatório: o livro é muito bom até essa explicação, que deixa um gosto amargo no cérebro do leitor.

O termo, o Mcguffin, citado por Alfred Hitchcock, que embora não esteja presente em todos os seus filmes, e também seja esclarecido como em INTRIGA INTERNACIONAL, em que uma personagem diz: “o que ele vende são precisamente segredos do governo.” – ASSISTAM AO FILME - ilustra uma tática de roteiro. Hithcock tenta esclarecer: “nada, isso é precisamente o que é o mcguffin”, estratégia que foi usada por Quentin Tarantino em PULP FICTION. Neste filme, na famosa cena da mala, não é mostrado o conteúdo da dita cuja, fazendo o espectador pensar: o que estava na mala?Dinheiro?Drogas?O fato é que isso não é esclarecido. Em 1 de meus roteiros, chamado QUE PAÍS É ESTE?, já disponibilizado em meu blog anterior, COMBATE!!!PERÓLAS AOS PORCOS, o Mcguffin aparece como a medida proposta por JONAS, o protagonista, ao presidente do Brasil e também não existe a explicação do teor da medida – LEIAM O ROTEIRO - link: Que País É Este? Tarantino demonstrou ser um bom cineasta e roteirista nos seus 3 primeiros filmes: CÃES DE ALUGUEL, PULP FICTION e JACKIE BROWN, depois não manteve o pique, mas mesmo assim é celebrado por todos os seus filmes, em vez de “apenas” pelos seus 3 primeiros e pouca gente ou ninguém liga se os filmes dele são agressivos. Enquanto isso, meus roteiros são descartados pelas produtoras e pelos concursos privados ou do governo por serem “muito agressivos”, isso quando são lidos, enquanto os filmes de Tarantino são exaltados, apesar do fato de serem muito mais agressivos que os meus roteiros.


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Texto na internet sobre o Mcguffin: Macguffin

Vários textos na Internet sobre Jorge Luis Borges: Borges

Livros:

O Livro de Areia, O Aleph, História Universal da Infâmia, O Informe de Brodie e Ficções - Livros de Jorge Luis Borges - Editora Globo

Borges: Uma Poética da Leitura - Emir R. Monegal - Editora Perspectiva

Hitchcock/Truffaut - Entrevistas - Editora Companhia das Letras