Blog dedicado a cinema, literatura e política

sábado, 6 de fevereiro de 2016

STULTIFERANAVIS - CRÍTICA DO FILME


Assistam:


https://www.youtube.com/watch?v=Df8qrCyuK68&index=3&list=PLVShMM_h61B5jIIWF_E0aozsAL5unz0oV



Crítica por Jorge Lobo



"Se o normal é por aí, abre as portas do hospício...” – “Ignoro” (música de Catalau e Hélcio Aguirra)

Grupo de rock Golpe de Estado

“Aqui quem manda é, é a lei do cão!” – “A Lei do cão” (música de Ronaldo Passos e Clemente) –

Grupo de rock Inocentes


Introdução:

o que acontece com a loucura é que muitas pessoas que diferem do padrão óbvio são condenadas, internadas, chamadas de loucas por seus "semelhantes"... é a velha teoria que diz que os diferentes são normalmente considerados loucos...vivem desconfortavelmente enquanto pessoas realmente loucas, que gostam de ser maldosas encontram seus pares, dúzias ou centenas sabe-se lá e confraternizam com elas... o que elas querem é zoar com aqueles a quem chamam de loucos e otários, por isso, "se o normal é por aí, abre as portas do hospício..." É claro que existem casos de pessoas que não são maldosas, mas simplesmente perderam o chão e acabam fazendo coisas tristes e condenáveis como aconteceu com o filho do documentarista Eduardo Coutinho, que matou seu pai. Esses são casos clínicos e precisam de um cuidado maior, uma internação até... existem, é claro, casos menos graves do que o filho de Coutinho que também precisam, infelizmente, de um cuidado clínico, mas essa sociedade é louca, o mundo é um caos e há quem diga que sempre foi assim... mas essa é uma outra história, que deixo para os psiquiatras, psicólogos e psicanalistas que por ventura lerem esta crítica comentarem... quem não for também pode comentar, é claro...

STULTIFERA NAVIS

Realizado por integrantes do curso de cinema da Puc Rio, dirigido e roteirizado por Dudu Mafra, o quase curta – a questão é burocrática – de 15 minutos e 3 segundos (3 segundos a mais do que é definido por lei como curta) STULTIFERA NAVIS traz os sentimentos via câmera dos realizadores, dos atores e dos pacientes. “A câmera é a sensação, os sentimentos das personagens”. Não sei se fui eu que inventei essa frase, por isso coloco aspas. O filme, além de trazer depoimentos emocionados de pacientes falando de seus sentimentos oriundos de seu trabalho terapêutico por causa de sua interação com a peça e de seus trabalhos como atores, traz um resumo do que é a peça “Hamlet”, de William Shakespeare, que deixo para vocês sentirem e conhecerem (pra quem conhece a peça e para os que não conhecem, o filme vai emocionar a ambos) assistindo ao filme, melhor do que eu escrever aqui um simples resumo, o resumo que o filme traz é emocionante e não custa nada assistir a 15 minutos de cinema bem feito e recheado de poesia - contribui também para isso a excelente música de Edu Viola e o Bando Novo - mas é importante lembrar que a encenação da peça dentro da peça (essencial, ação cardeal da peça e do filme) é quase idêntica à conclusão do conto “Tu és o Homem” ("Thou Art The Man"), de Edgar Allan Poe, escrito no século 19. Vale a pena conhecer o conto, deixo essa dica aqui pra vocês. O único senão do filme é uma cena desnecessária em que é relatada a fuga do Hospício do Engenho de Dentro (locação da maioria das cenas) de uma paciente, é uma cena que quebra o ritmo e que acrescenta muito pouca coisa.

Ainda a destacar, sem dúvida nenhuma, o trabalho da atriz Berenice Pinho, excelente atriz, que é focalizada em primeiro plano, para melhor fruição de suas qualidades como atriz, que expressa os sentimentos da personagem de mãe de Hamlet de forma magnífica; e o mentor do projeto SPA e HOTEL DA LOUCURA, Vitor Pordeus. Sem ele, o filme seria impossível de existir. É ele que faz a organização dos eventos de teatro + objetivo de cura no Engenho de Dentro e expande para outros bairros o trabalho de encenar as peças. Um trabalho que, obviamente, foi incentivado pela história da atuação da dra. Nise da Silveira, pioneira na organização da arte como cura no engenho de dentro.

Conclusão: por que o que prevalece na sociedade é a lei do cão, a lei do mais forte? Vitor Pordeus propõe que o caminho para a sociedade é a cooperação, lei que substituiria a lei do mais forte, a lei do cão.


Nenhum comentário:

Postar um comentário