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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

CRÍTICA DO FILME NUVELA

Assistam ao filme:


NUVELA


Crítica por Jorge Lobo

Cloud Opera ou um filme em forma de caleidoscópio

NUVELA  é uma coletânea de vários trechos de filmes que versam direta ou indiretamente sobre o Spa e Hotel da Loucura, localizado no Engenho de dentro, bairro da cidade do Rio de Janeiro. Atividades lúdicas visando propor o bem-estar de pessoas com qualquer tipo de distúrbio mental. Essa é uma das propostas. Mas NUVELA vai além, cada vez mais, visando expandir e proporcionar benefícios para um número cada vez maior de pessoas, buscando levar sua mensagem cada vez mais longe. Assim é que muitas vezes o trabalho é levado para além dos muros do hospital psiquiátrico. O movimento atrai artistas (como Chico César e Ney Matogrosso), psiquiatras, psicólogos e outros na busca de um lugar ao sol cada vez maior para as pessoas ditas “loucas”. O trabalho artístico como forma de cura (vide Moreno em seu conceito de PSICODRAMA), pode até não ser novidade no mundo, mas trabalha com a integração de pessoas de forma a fazer com que elas se sintam parte de um grupo. Fica a pergunta: se os canalhas, se os corruptos se unem, por que as pessoas com distúrbios mentais não podem se unir? NUVELA mostra que sim e se insere no contexto da luta antimanicomial. As armas do movimento do qual Vitor Pordeus é uma importante figura (do Engenho de Dentro para o mundo) são as várias formas de arte: teatro, artes plásticas, música, audiovisual, dança, poesia; isso além de todo um trabalho psicológico baseado em Jung, Nise da Silveira, Espinosa, William Shakespeare, o já citado Moreno etc. Tudo isso sem a mácula do famigerado espírito de competição que corrói a sociedade capitalista valorizando o cântico do filme que diz: “cuidar do outro é cuidar de mim, cuidar de mim é cuidar do mundo”. Neste sentido, é muito interessante assistir ao depoimento de Amir Haddad, mentor do grupo de teatro TÁ NA RUA, sobre capitalismo  e também seu discurso sobre o que é ser um artista. Deve ser citado também, o grande poder oratório de Vitor Pordeus, não só com os pacientes mas nos congressos e entrevistas das quais ele participa. É claro que, neste filme, às vezes existem cortes que prejudicam a fruição do filme, mas de forma geral a proposta, que é a de dar um panorama geral do trabalho, é bem sucedida.


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