domingo, 18 de junho de 2017
BUENA VISTA SOCIAL CLUB
BUENA VISTA SOCIAL CLUB - Crítica feita à época do lançamento nos cinemas
Por Jorge Lobo
Assistir `a Buena Vista Social Club, de Wim Wenders, é como tomar um sonífero(ou um anti-depressivo). Apesar disso(ou por causa disso), o filme fez grande sucesso, o que se deve em grande parte ao talento dos musicos, captado de maneira perfeita pelas lentes de wim wenders.
Logo no começo do filme, Ry Cooder aparece ao lado de seu filho Joaquim Cooder, narrando em off a introdução da história do filme.Os dois aparecem como dois Easy Riders em meio a uma cidade interiorana. Essa aparição já prenuncia o contraste que se dará de forma mais evidente depois: contraste entre as ruas de Havana e a pobreza(relativa) de sua população e a cidade de N. York, com a qual os músicos do filme se mostrarão deslumbrados. Esse contraste também se dá devido `a fotografia do filme, que é escura na parte filmada em havana e radiante na parte filmada em N. York.
O filme aparentemente não traz nenhum vilão e conta uma história feliz, mas uma leitura um pouco mais aprofundada revela o vilão oculto do filme: Fidel Castro, aquele que deixou os músicos caírem no ostracismo. Mas por que eles caíram no ostracismo?Por que foram criados em cuba, depois da revolução, muitas escolas de música, de onde foram saindo muitos músicos que foram inflacionando Cuba de tal maneira que se tornou impossível para os antigos músicos manter o seu ritmo de trabalho.De fato, o filme não explica porque eles não saíram de Cuba mas o mercado internacional nem sempre está aberto a qualquer tipo de música e o cinema, como poderosa arma de difusão que é, amplificou a repercussão em torno do trabalho dos músicos, que por sinal, é muito bom. De fato, o “descobrimento” e o resgate dos músicos aconteceria de qualquer maneira, quer dizer, independente do trabalho do alemão, tendo em vista que Ry Cooder, como um bom príncipe encantado, faria a viagem `a Cuba de qualquer maneira.
O filme, dessa forma, é a história de um príncipe encantado que vêm realizar o desejo dos músicos. Através de depoimentos emocionados e da boa direção,Wim wenders também se torna o príncipe(pelo menos, um ajudante de luxo), já que consegue captar de maneira espontânea e bonita a história de vida desses músicos. Conta,enfim, uma história feliz que agrada em cheio ao público(pois é isso que muitas pessoas gostam de ver)mas que não instiga o espectador como o bom cinema deve fazer.
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