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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

POSIÇÃO TOMADA – SEMPRE FOI...



Sou francamente contrário ao plágio. Nunca autorizei ninguém a divulgar minhas histórias, pois isso facilita o plágio. Quando eu quis divulgar eu mesmo divulguei. Desrespeitar um companheiro de profissão é uma coisa condenável, sem dúvida, ainda mais quando este companheiro ainda não transformou ainda o seu roteiro em filme. Acho lamentável a falta de respeito generalizada pelos companheiros como ocorre atualmente, num “levar vantagem em tudo”, num “foda-se, eu quero mais é me dar bem”, num “eu não gosto desse cara mesmo”, “ele é otário mesmo, então vou me aproveitar” etc etc etc nessa razão cínica deplorável que grassa na classe cinematográfica.

A transcriação, no seu sentido lato, em vez disso, trabalha com coisas que JÁ FORAM publicadas ou filmadas, pegando uma base de uma determinada passagem de um filme ou livro pra fazer uma coisa nova, é uma prática inventiva, isso além do fato dos direitos serem respeitados, já que esses filmes ou livros JÁ FORAM realizados. Ainda nos anos 30, já falando também de literatura, Jorge Luis Borges fez isso no seu livro HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA com histórias de terceiros mexidas à vontade pelo mestre dos contos, mas eram histórias QUE, JÁ TINHAM SIDO PUBLICADAS ANTERIORMENTE; Eu, pessoalmente, não vejo graça em fazer as chamadas citações, pois essa simplesmente repete o trecho para quem conhece a cena antiga, ou então não é vista como plágio pelos espectadores que não conhecem o filme anterior, existindo portanto, o desrespeito a esse filme anterior, seu diretor e seu roteirista, por mais que o diretor que faz a citação chame isso de homenagem. É claro que, se o crédito da passagem copiada for dado, o delito é menos grave e até aceitável para alguns. É claro, também, que o plagiador, querendo ou não, fica com um manto enorme de vergonha.

É claro que existe um LIMITE (1930), pois o diretor-roteirista desse filme, Mário Peixoto, por exemplo, viu uma foto numa revista e a usou nesse filme, o que não dá pra chamar de plágio, filme este, que, aliás, foi eleito numa enquete em 1988 como o melhor filme brasileiro de todos os tempos. Não dá pra considerar plágio coisas como notícias de jornal, fotos, como usou Peixoto, gravuras ou músicas, essas coisas são inspiração. Mas também existem coisas que não dá pra aturar, como a frase do Chacrinha: “nada se cria, tudo se copia”.

2 comentários:

  1. Infelizmente existem pessoas que acham normal registrar roteiros escritos por outros em seu nome. Muito, mas muito triste...

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  2. Resumindo e simplificando o que eu disse no post: pimenta no cu(me desculpem o palavrão) dos outros(no caso, eu) é refresco!"

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