Quem dá pérolas aos porcos só recebe ingratidão ou coisas parecidas?Tom Jobim dizia que fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal. É verdade, ainda que esse sucesso, no meu caso, não se dê nos moldes que normalmente se fazem presentes. Além do mais, que sucesso é esse em que as produtoras estão todas fechadas para o meu trabalho?Querendo ou não, isso tira um pouco do ânimo pra gente escrever... Cá pra mim eu tenho que 70% dos que lêem este blog só têm ingratidão pra me oferecer mesmo, mas, se, de pelo menos 30% eu receber coisas positivas, ou se eu conseguir ajudar alguém que tenha um caráter mais idealista já está bom... vamos então a mais uma dica:
Gênesis Cap. 1 V. 32 – PARTE 1 - ATENÇÃO: SPOILERS
Noite imensa, só havia
Pra sair um pouco da esfera dos cineastas mais simbólicos devemos ressaltar todo o dinamismo de DEPOIS DE HORAS – After Hours (1985), de Martin Scorsese e de SABOTADOR – Saboteur (1942), um dos melhores e menos conhecidos filmes de Alfred Hitchcock, dois filmes que sabem trabalhar muito bem o equilíbrio entre diálogo e imagem. Muita gente vai assistir a filmes por causa do diretor, mas isso é errado: a montagem e, principalmente o ROTEIRO é que fazem um filme ser bom ou não. Vejamos um ótimo diretor e alguns de seus filmes, por exemplo: começando por DUBLÊ DE CORPO – Body Double (1984) , de Brian De Palma. O roteiro vai muito bem até que, no final, acontece um deus ex machina em que um cachorro salva a personagem protagonista, estragando o filme e a bela direção de De Palma. Fez, depois um outro filme chamado OS INTOCÁVEIS – The Untouchables (1987) , este sim, muito bom e com um roteiro sem furos de autoria de David Mamet. Tinha feito, um ano antes, um filme com roteiro ruim chamado QUEM TUDO QUER, TUDO PERDE – Wise Guys (1986), e naufragado. Em 1981, fez, aquele que eu considero seu melhor filme, UM TIRO NA NOITE – Blow Out (1981), com roteiro e direção muito bons e que não se prende à obrigação de ter final feliz, pelo contrário, o final é trágico e no epílogo choramos junto com a personagem interpretada por John Travolta. Peguemos agora um filme como SUPEROUTRO (1989), de Edgard Navarro. Nada daquela coisa sonolenta preconizada por Syd Field e Christopher Vogler de ter que mostrar o mundo comum da personagem durante um tempo que parece interminável (embora existam roteiristas que conseguem fazer esse panorama do mundo comum sem ser chato), o filme já começa a mil e segue assim durante quase todo o tempo gerando um filme muito bom, sem dúvida, feito com pouco dinheiro mas muita criatividade, assim como o é ILHA DAS FLORES (1989), de Jorge Furtado, que já tinha feito outros ótimo curtas: BARBOSA (1988), com co-direção de Ana Luiza Azevedo, O DIA EM QUE DORIVAL ENCAROU A GUARDA (1986), ao lado de José Pedro Goulart (1986) e repetiu, depois de ILHA DAS FLORES o sucesso com ESTA NÃO É A SUA VIDA, (1991), entre outros, se perdendo, porém, quando começou a fazer longas.
*aliás, quem é que começou a usar e falar em dicionário de símbolos no cinema nacional? Eu. Aliás, ainda, como trabalho os meus roteiros? Usando drama, mitologia, realismo mágico, humor, sátira, simbolismo, como eu já frisei, estilo aforismático e intuição... quem sabe dizer o que mais eu uso? A linguagem das fábulas ou apólogos estilo Esopo? Sim. O que mais?Os elementos de retórica stricto sensu e lato sensu, como escrever histórias que não sejam nem abaixo da crítica, nem acima do gosto popular? Sim. O que mais?Quais os autores que me influenciaram?Eu não tento imitar ninguém. Eu uso coisas que aparecem nos sonhos que eu tenho? Sim. Eu uso experiências pessoais como conversas minhas ou dos outros que eu acabo ouvindo? Sim. Eu uso a inversão da ordem das falas ou dos diálogos? Sim. Eu uso história(s) secreta(s)? Sim. Eu faço transcriações de poemas, textos dissertativos, ou diálogos de outros filmes, isto é, eu distorço os diálogos ao meu bel-prazer?Sim. Eu boto falas nas bocas das personagens fiéis a textos de ficção ou não-ficção?Pouco, mas sim, prefiro distorcer. Eu uso a música como inspiração? Uso. Eu uso epifanias? Sim. Eu uso inversão lógica? Sim. Eu uso falsos finais e finais ocultos? Sim. Eu aproveito coisas que eu leio no jornal? Sim. Eu trabalho a mensagem nos meus roteiros? Sim, Leiam o DICAS DE ROTEIRO EM PÍLULAS nº 8 e 9 deste Blog para entender. Eu falo de coisas complexas de forma simples? Sim. Eu uso trajetória circular? Sim, mas lembrem-se: isso não foi inventado pelos manuais de roteiro, já existia em histórias da mitologia. O que mais eu faço? Chuta aí!
P.S.: é importante, muito importante ter visão crítica.

Embora seja óbvio para muitos, não custa nada frisar que planos longos contribuem para a lentidão dos filmes. O ideal é usar iconia e poesia...
ResponderExcluirEmbora Michel Chion em seu bom Manual "O Roteiro de Cinema" tenha escrito que muitos diálogos de filmes americanos dão a sensação para os espectadores de passar rápido porque são ditos em estilo familiar, enquanto muitos filmes europeus parecem passar mais devagar porque são diálogos sentidos, prenhes de significado, eu acho justamente o contrário: diálogos sentidos são mais absorventes e tocam mais a emoção do que diálogos em estilo familiar, daí a relatividade do conceito de lentidão nesse aspecto. Não custa repetir: o ideal é usar iconia e poesia...
ResponderExcluirMinha "bela fama" se deu na base da arapongagem suja - embora seja até redundante falar que a arapongagem é suja, pois isso já está implícito na palavra arapongagem - e da fofoca e o que é que eu ganhei com essa "fama maravilhosa"? Pode responder, não paga nada, não...
ResponderExcluirComo sei que ninguém(fora eu) vai responder mesmo, EU vou responder: eu ganhei muita injúria, difamação e complô... e tenho dito!
ResponderExcluirAinda sobre a minha discordância com relação à opinião de Michel Chion no seu manual, poderia resumir meu comentário com a seguinte e velha frase: "o que é bom dura pouco!"
ResponderExcluirGostaria de saber que fama é essa, pois eu mandei meus projetos pra 23 "concursos" e não ganhei nenhum...
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